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27.2.17

Oscar 2017 - Hollywood carnavalesca.

Nada há de superar o erro de anúncio de Oscar de Melhor Filme para a fita errada! Não houve roupa escandalosa, Pira Olímpica ou despenteados cuidadosamente armados que suplantem a mancada em tempo real durante um dos eventos de maior audiência no planeta. De resto, a entrega de Oscar neste Carnaval foi aquela festinha chata de sempre, com uma exibição de plásticas, botox, gente bonita envelhecida, gente jovem sem tanto glamour, premiações para os pipocões da vez, resmungos contra o colonialismo de quem assiste a um espetáculo da indústria capitalista selvagem, marmanjos babando por Scarlett Johansen e Chalize Theron, Viola Davis fazendo discurso nem tão contundente assim, Denzel Washington de cara amarrada porque perdeu estatueta pro irmão mais feio do Ben Affleck, reverências a Meryl Streep, gracinhas sem graça alguma para qualquer público, números musicais cafonas,  aquelas roupas caríssimas, joias espetaculares e muito artificialismo para vender "a magia do cinema".

Em pleno domingo de Carnaval, os americanos aproveitaram para se fantasiar mais como se fosse Halloween, alternando figurinos de filme de faroeste com trajes dos anos 20/30/40/50/60 e 1980!!! O tema variou de festa caipira a damas voluptuosas do cinema italiano. Modelos parecidíssimos devem ter irritado sobremaneira as divas presentes, exceto as mais maduras, que vestem qualquer coisa com um brilhinho, porque já não precisam mais parecer belas sílfides como na juventude. Os homens reduziram as barbas, embora Jeff Bridges continue ostentando o seu melhor disfarce para as ruas e Casey Affleck tenha optado por fazer o Johnny Depp em dia de mendigo da vez.

Viggo Mortensen não levou Oscar pra casa e mostrou que na vida real é um pai tão legal quanto o Capitão Fantástico. O filhote concorreu na categoria pior despenteado da noite ...


... porém, Madame Pharrel Williams foi imbatível, na composição de casamento na roça que fez com o marido - que deu um toque de Mardi Grass/Chanel à fatiota, jogando colares sobre o smoking. 



O fofo do Jackie Chan tinha o mais bonito paletó da noite. A calça, no entanto, lhe deu o troféu "O defunto era maior". Ganhou menção honrosa em adereços de mão, também.


Finalista do quesito "melhor despenteado/sou ator desglamourizado", Dev Patel venceu a categoria "Filho da Mãe Coruja mais feliz" da noite. E Ms Patel surpreendeu com o sari belíssimo e chiquérrimo.


A alegria de Leslie Mann não foi abalada pela falta de energia elétrica em casa, que a impediu de usar um ferro para passar o balonê estilizado. O jeito foi incorporar a fantasia de sachê de mostarda amarfanhado. 


Ainda no espírito da Festa Caipira, desoladores modelitos vermelhos que jamais deveriam ter saído do filme de faroeste ao qual pertencem ...


 ... onde Alicia Vikander também pinçou sua fantasia de dama do saloon; como faltou um sapatinho condizente, ela aproveitou uma sandália grega num set próximo mesmo. 


A mais pavorosa pira olímpica desde a Grécia Antiga conseguiu voltar à cena, desta vez em Hollywood. Incompreensível composição com gente balançando bandeironas azuis. 


Halle Berry homenageou Elza Soares - e ficou maravilhosa, como sempre. 



Divas d'outros carnavais foi tema privilegiado na noite. A exuberância de Gina Lollobrigida estava em Charlize Theron (um equívoco imperdoável para essa deusa da belezura) e Scarlett Johanssen. 






Dakota Johnson também homenageou os ícones do passado, com um acetinado parecido com o vestido de noiva de Wallis Simpson, a Duquesa de Windsor. O modelo antiquado - e feio, né? - requeria uma composição diferente do penteado boi lambeu. Um dos mais feios figurinos da noite, que só não entrou para o panteão de horrores porque ... 



... Janelle Monae foi de Calada Noite Negra, o canto do Anu-Preto na corte de Elizabeth I da Inglaterra, fantasia campeã em Luxo Feminino.  O samba, ela canta no próximo Grammy. 



23.2.15

Oscar 2015 - A sobriedade está na moda.


Foi uma noite de Oscar tranquila, com muito discurso interessante, uma pulverização de premiações entre todos os concorrentes e pouca gente de roupa estranha. As moças estavam sóbrias, os moços... bem, não há muito como errar com os trajes masculinos, exceto quando se insiste no bizarro. Foi o caso do belo Jared Leto, parecendo Jesus Cristo  em Festa Caipira






Eddie Redmayne, a grande zebra da noite,  estava realmente surpreso com a premiação ...



... e chegou a se descontrolar ....


... antes de recuperar o prumo e fazer os agradecimentos de praxe a pai, mãe, agente, mulher, diretor.


Patricia Arquette, com sua sainha de fenda pra lá de demodê, mas que fez um conjunto interessante com a blusa de grega estilizada  ... 



botou óculos, puxou papel do bolso, pediu melhores salários para as mulheres e deixou de ficar parecida com Ana Maria Braga/Suzana Vieira para refletir mais uma semelhança com Meryl Streep 


... que adorou a fala de Patty, secundada por J-Lo (canastrona até no entusiasmo).




              Dona Meryl meteu um blazer e foi pra festa, cabelos em coque, como a maioria da mulherada na noite.


Antes de gritar ao lado de Meryl, J-Lo garantiu a atenção dos fotógrafos com um vestido cor de pele, mostrando ser uma mulher de peito.


Ela também avisou que iria trocar de roupa para a festinha pós-premiação. Mudou a fantasia de Princesa Peituda para Sereia Peituda. Só manteve a bolsinha.




Chloe Moretz quis um vestidinho com a estampa de papel de parede da casa da avó, uma variação da roupa com padronagem de poltrona que sempre surge nessas noites de gala. 


Felicity Jones também foi de princesa, com um corpete em forma de elmo, cravejado de pedrinhas, lembrando aqueles caminhos entre os canteiros de um jardim. 


Melanie Griffith acompanhou a filhota Dakota Johnson, falou que apoia muito a carreira da moça e que ainda não teve coragem de assistir ao filme pornô soft que a menina estrela. 


É que Melanie Griffith nunca mostrou o corpo assim de forma tão despojada antes, como pode-se perceber por suas aparições em Fogueira das Vaidades, Cidade do Medo Dublê de Corpo e Working Girl.






Gwyneth Paltrow não pôde usar o discreto chapéu florido que ela adora, mas pegou uma almofada em forma de rosa, encaixou no ombro, e saiu por aí.





Os brincos, em compensação, eram lindos. 


Kiera Knightley também aderiu ao flower power, cheia de bordados e inscrições no primaveril vestidinho que parecia o do casamento da Angelina Jolie.  A tiara de flores foi comprada em camelô no Réveillon carioca. 


Lupita, a que está sempre chique e linda, também deve ter se inspirado nos trajes de virada de ano brasileira. Desta vez foi de Rainha das Águas, toda trabalhada nas pérolas.



Lady Gaga pegou emprestadas as luvas do bombeiro hidráulico que faz ponto na esquina.  




Mais tarde, no tributo aos 50 anos da  Noviça Rebelde, trocou de cabelo e botou um vestido de princesa plástica.



 Oprah caiu no conto do drapeado. E esqueceu a chapinha em casa. Deu nisso. Foi de princesa Fiona.





Marion Cotillard, gracinha, lindinha, só pode ser cobaia da Dior pra roupa esquisita. Se na frente estava tudo bem, vamos dar um jeito de estragar atrás, botando uma faixa abaixo dos quadris. Complementando, o cabelo boi lambeu. Tem alguém que detesta a moça lá na Dior, ah, tem.



Naomi Watts quis dar um certo glamour ao consagrado modelo carioca de top com jardineira. A estampa de tijolinhos metálicos não ajudou. 





                                            Nicole Kidman foi de Barbie Boneca de Porcelana.





             Cate Blanchett e o espetacular efeito de um colar de turquesas num pretinho básico.


Scarlett Johansson e o dilema:mostrar o peito ou o colar? Superposição que não deu certo.




O merecidíssimo Oscar de Julianne Moore (pelo conjunto da obra) só não combinou com o vestidinho no estilo tapetinho de banheiro dos anos 60. Ao menos não inventaram um colarzinho pra fazer um conjuntinho com as flores, que lembram muito docinho de festa de criança. 


No meio da mesmice geral, o troféu Helena Boham-Carter ficou para a jovem Lorelei Linklater, nessa confusão de transparências com fenda, envelope na cintura, padronagem... Nem sempre a juventude atenua tantos elementos superpostos.