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16.2.16

Ah, o Grammy ...

Dispenso assistir ao Grammy por algumas razões. É uma festa longuíssima, com tantos prêmios que nem dá pra entender quem ganhou o quê e em qual categoria. E um tremendo desfile de fantasias pós-carnavalescas. Porque é rock'n'roll - e os roqueiros são irreverentes, propositalmente cafonas, chocam a burguesia com tanto descuido planejado no trajar.
O apuro em parecer marginal ou montar um jeito "tô nem aí" é de um artificialismo que mal merece menção. No meio disso tem sempre a bagunça visual da Lady Gaga, este ano homenageando David Bowie com figurinos de fazer inveja a Liberace, Elton John e Las Vegas inteira. É tanta coisa que só dá pra mencionar...


... a moça que saiu de ovo estrelado ...


... o quimono de Lagy Gaga, cada vez mais uma mescla de Bozo e Courtney Love ...



... o quimono de Kim Kardashian ...

... e o da Florence Welch, um pesadelo de desenho animado!!!





Taylor Swift, com uma bela gargantilha, e olhe lá - calçola rosa com bustiê laranja é uma combinação assustadora.
E Rihanna, de baiana da Mangueira. Amei!!!

15.5.15

The day that music died

A gente sabe que envelheceu quando a trilha sonora da vida vai silenciando. Vi B.B. King no Canecão, dez dias depois do nascimento doArtur, mal acreditando que deixaria meu bebê em casa, com meus pais, para ouvir blues. Um show delicioso, com um público muito aquém dos músicos. Eu olhava para as caretas do B.B. King e achava que ele fazia os mesmos esgares que meu filhote - que dormiu a noite toda, sem sentir a menor saudade de mim. No inconsciente dos bebês, ele sabia que ouvir e ver B.B. King faz bem à alma de qualquer um. 
Nunca mais nos encontramos. Mas ele permaneceu inoculado em mim, que transmiti essa felicidade de conhecer um som cristalino e inebriante a meus guris. Valeu, Riley!!!










13.2.12

Grammy 2012

Vamos combinar que a entrega do Grammy é imensa, com uns showzinhos bem chinfrins pra gente que vive daquilo mesmo, reunindo um bando de milionários que se vestem da forma mais inusitada possível, mas não chegam aos pés dos bregas de Hollywood. Este ano, sucumbi e só vi o videotape no day after.

Já sabia que a chatice melancólica da Adele (boa voz, mas, rigorosamente, ela faz a mesma música em todas as faixas do CD), a redenção dos que estão acima do peso, reundeu um monte de estatuetas. Com as exceções de sempre - os homens da velhíssima guarda, como Tony Bennett -, as fatiotas envergadas pelos músicos são de meter medo. Tem desde a turma que veste a camiseta que o filho de 12 anos usa pra jogar futebol às divas seminuas, no melhor estilo starlet do Festival de Cannes. O tapete vermelho é um show de atrocidades, divertidíssimas, todos buscando ser a Cher do momento, já que Lady Gaga também virou hors concours.

E, entre tributos lacrimejantes a Whitney Houston, teve de tudo no quesito "Me arranja uma melancia pro pescoço aí". Talvez o Grammy seja a festa pré-carnavalesca da indústria da música de hoje. Alguns destaques seguem aqui.



Cindy Lauper, comme il faut, até discreta na categoria Cindy Lauper.



Adele de pretinho básico para afinar a silhueta, dando pinta de Maria Callas (mais no volume corpóreo do que no vozeirão).

Taylor Swift, a country gracinha, com um engana-mamãe: na frente, bem comportado, atrás, ousado. Esquisitinho, né?



Rihanna, agora criloura, com um pretinho que ousa mais do que o descaramento de seus guinchos.

Mulher rendeira, Fergie usou um Jean Paul Gaultier. Podia ir ao interior do Nordeste que comprava coisa igual, mas com forro.

Katy Perry de Iemanjá.




A deselegância indiscreta de Fergie, em toda sua glória.

A moça vestida de noiva do Robocop, que dividiu com Fergie o título de pior figurino da noite.


Lady Gaga assustando Paul McCartney.


Valeu pelo fim da festa e os animadíssimos Bruce Springsteen, Joe Walsh, Dave Grohl jamming com Sir Paul.



30.9.11

A vida é bela


... e aí, no meio da madrugada, uma multidão canta "Garota de Ipanema", embalados por Stevie Wonder e sua filha Aisha (a inspiradora, em bebezinha, de "Isn't she lovely?"). Com direito até a Antonio Carlos e Jocafi para ganhar, de vez, a plateia.

Neoburgueses

Existe uma estética convencionada como "anti-establishment" mais careta do que qualquer rococó burguês. É a ela que provavelmente prestou tributo o show de uma cantora (?) que eu tive a felicidade de desconhecer até ontem, 29 de setembro, quando esperava a apresentação do Stevie Wonder no Rock in Rio pela TV. À parte ouvir as bobagens proferidas por ex-VJs bonitas e mal-informadas, além das intervenções inexpressivas de Beto Lee, e algumas tentativas bem-sucedidas de fazer graça de Fernando Caruso (o treinamento de ator conta muito em televisão. Aquilo é espetáculo. Precisa de atores - ou, no mínimo, de quem tenha o famoso jogo de cintura-, não de moça bonita que é modelo e manequim antes de se tornar apresentadora), permaneci em frente a duas telinhas - a da TV e a do computador, onde dialoguei com amigos sobre as atrações.
O que me intriga realmente é o destaque dado a um péssimo aproveitamento de tempo, espaço, neurônios e inteligência que foi o show da tal Kesha. O que a moça fez? Rebolou no palco, cercada por dançarinos mal vestidos como ela, de cabelos desgrenhados, cantando algo feio numa confusão de fumaça e luzes. As músicas pareciam todas iguais - tudo bem, as do Jamiroquai também parecem iguais, mas o cara tem voz bonita, não usa sintetizador e não tem um bailarino fingindo que se masturba em cena. Ah, ela também bebeu "sangue" de um "coração" - algo que o Gene Simmons já fez, um pastiche dos morceguinhos comidos pelo Ozzy Osborne. Qualidade musical? Ah, pra quê, né?
Enfim, isso deve vender horrores. Um horror que vende horrores.
Se há 30, 40 anos ser maldito era mais eficiente que prender melancia no pescoço, hoje é apenas uma forma de ganhar muito dinheiro.
Então, tá, né? Nada de ideologia, apenas o vil metal - que ninguém despreza, nem os malditos.

25.5.11

Uma injeção de endorfina

What's That Man Holding In His Hand?
He Looks A Lot Like A Guy I Knew Way Back ...

Macca, my dear, you must return to Rio and do play a lot more of silly love songs...

Nem dá muito pra falar sobre a delícia que foi viver domingo, 22 de maio, em pleno Engenhão.
Só em tópicos.

. Show maravilhoso, som fantástico.
. Noite linda, lua nascendo amarelinha, subindo entre a bela estrutura do estádio.
. Mesmo na incomensurável distância das arquibancadas - minha estreia off ground - um espetáculo grandioso. Jamais vi um palco tão longínquo.
. O melhor de tudo: ao lado de três dos meus filhotes que curtiram tanto ou mais ainda do que eu.
. Ah, e foi incrivelmente melhor do que o show que vi 21 anos atrás no Maracanã.
. Paul in fantastic shape, cantando bem - deve ter aula de técnica vocal a cada meia hora, impressionante. Simpático e fantástico.
. Lágrimas na abertura, no Hello. Goodbye! O velhinho sabe jogar pra plateia.
. Quem não se emocionou com Something tem coração de tungstênio.
. Live and let die levanta defunto. Fenomenal.
. Boa banda.
. Público mais família impossível. Meninas abraçando as mães, avôs beijando as avós. Uma jovem descendo as arquibancada atrás de mim, indo ao encontro dos pais, eufórica: "Chorei o tempo todo". Eu tomei ansiolítico e consegui chorar somente no início, no meio, em Lady Madonna (afinal, tinha children on my knees), em Something, The Long and Widing Road e em The End.
. As mãos ficaram vermelhíssimas de tanto batermos palmas.
. São seis aneis de subida até as arquibancadas do Engenhão.
. Antes do show, filmes e fotos de Beatles, Wings, filhos e Linda (muitas, muitas); é duro ser a sucessora da falecida Mrs McCartney.
. Rumores garantem que o noivado recente impediu que My Love e Maybe I'm Amazed entrassem no set list carioca. Em São Paulo, ano passado, quando ele tocou a primeira, o público gritou "Linda, Linda, Linda". Fica chato pra atual noiva mesmo. Mas mais chato ainda pra nós, que queríamos ouvir, né?
. Volta logo, tá?

21.5.11



Macca já se acariocou. Passeou de bicicleta, sentou-se na grama do Aterro sob o sol. Amanhã, vamos ver, né?
21 anos depois, enfrento trem da Central pra vislumbrar Sir Paul, um encantamento que me arrebatou na primeira infância, quando assisti a Help. E, desta vez, vou bem acompanhada, por minha prole quase completa. A melhor mandinga pra acabar com uma fase ruinzinha da vida!!!!

Na foto, Paul com a jovem noivinha. Será que desta vez ele faz pacto pré-nupcial ou cai em outro golpe do baú?

14.2.11

Grammy 2011

O que é o Grammy? Como uma celebração dos mais aclamados profissionais do show bizz consegue ser tão ... falsa? Nada empolga! É pior do que a entrega do Oscar em chatice. Vale pela bizarrice dos modelitos, claro.
Mas até aí perde do Oscar, que tem como reis da cafonalha, geralmente, os roqueiros - notórios pela deselegância com a exceção do Sting.
De resto, tem música mal interpretada. E perguntas que não querem calar, tais como por que a vetusta Barbra Streisand mostrou que não tem mais voz em "Evergreen"? Por que Kris Kristofferson cada vez mais é um Jeff Bridges mal acabado (ou melhor, por que Jeff Bridges resolveu virar o Kris Kristofferson de hoje em dia)?

Por que Mick Jagger se assemelha cada vez mais ao cruzamento de uma lagartixa saltitante de terno do tempo dos Everly Brothers com uma tartaruga? Por que Mick Jagger decidiu cantar "Everybody Needs Somebody", homenageando (mal) os Blues Brothers?




Mas para mostrar que não só os coroas podem envelhecer mal, sempre tem a nova safra do pop, que já é estranha pela própria natureza forjada dos que almejam os holofotes da midia a qualquer preço, exceto o da qualidade musical - algo que os doidões de outrora já haviam provado que tinham, no tempo em que reinavam nos hit parades.

Teve de tudo. Kate Perry variando de anjo (Eduardo Dusek fez isso aqui num festival da Globo, há pelo menos 25 anos) a pin up de anúncio de pirulito. Ou seja, uma estética desfile da Victoria's Secret.






Como sempre, Lady Gaga tentou ser a detentora do trofeu Bjork de originalidade brega. Mas a competição era pesada. Chegou numa liteira em forma de ovo e usou uma roupa que mescla os figurinos de "Os 300 de Esparta" com "Gladiador" e "Os Três Mosqueteiros". Óculos escuros, claro, a máscara oficial dos blueseiros que não agüentam as luzes por conta dos psicotrópicos, e como complemento que atrapalha a plateia, um chapeuzinho de abas imensas.







O problema da Gaga é que a competição era duríssima. Todo mundo procurava se vestir o mais ridiculamente possível. Parecia uma festa de Haloween (no Carnaval, a gente enverga menos paramentos) de gente feia. Porque tava todo mundo feio. E a Rihanna, que a cada meia hora surgia no palco, fez por merecer seu lugar

Chegou assim, simplesinha, com este vestidinho que eu juro, conheço numa versão semelhante, mas menos insinuante, que vi num show da Elza Soares. O da Elza era todo transparente dos dois lados, só cobria partes na frente e atrás. Enfim, um modelito ... feio?


Para subir ao palco, ela viu esta flamejante criação em passarela, arrebatando-a antes que a Helena Boham-Carter pegasse pra vestir na entrega do Oscar. Porque o vestido é muito interessante - em palco, claro. E segue uma concepção timburtiana de releitura das feiticeiras contemporâneas. (É esquisito, mas eu até gostei. Fica lindo em mulher de dois metros de altura, magrinha. A Rihanna pode).





O que a Rihanna nem qualquer um com o mínimo de bom gosto poderia vestir era este uniforme de super-heroína, desenhado pra que ela parecesse gostosona. Tudo bem, ela é bonita e jovem, atributos que lhe permitem tornar-se cantora, mesmo que a voz e a interpretação de nada ajudem. Será que Rihanna desaparecerá no limbo pop como as divas da disco music (que pelo menos sabiam cantar)?

Mas a competição continuava difícil, com a rapper Nicki Minaj fantasiada de Don King Presta Tributo à África Ancestral, tornando o coleguinha will.i.am um paradigma da sobriedade em vestimenta.

O ápice do contraste entre a Bela e a Fera foi a apresentação de Cee-Loo como um Garibaldo à solta na Marquês de Sapucaí estilizado, entre um monte de marionetes, e Gwyneth Paltrow, interpretando Michelle Pfeiffer em "Susan e os Baker Boys". Cee-Loo tem uma voz fantástica e Gwyneth canta melhor que Rihanna.



A outra aparição da bonitona Sra Coldplay foi no papel de lindinha, amiga da Beyoncé. Ambas com vestidinhos (ou shortinhos) curtinhos ...



... como a J.Lo...



... ou a Eva Langorria.

Aliás, acho que descobri por que tanta atriz de cinema se casa com músico. Só pra sobressair a beleza no meio de tanto milionário maltrapilho. Por isso, a rainha do Botox, Nicole Kidman (que, convenhamos, está bem melhor depois que parou de aplicar as injeções, voltando a ser lindona), faz questão de acompanhar o marido, cantor country, e tirar foto com o Baz Lurhman, fazendo um trio bonitinho.



15.8.09

Há 40 anos



Para celebrar os 40 anos de Woodstock, deixei a vida de lado e devorei Aconteceu em Woodstock (Record), de Elliot Tiber e Tom Monte. Tiber, um artista plástico e roteirista, na época administrava o hotel decadente da família em Bethel, intermediou a locação de uma fazenda vizinha para sediar o anunciado festival de artes e música. Um mês antes, os produtores encaravam um prejuízo de 2 milhões de dólares com a cassação da licença para a realização do evento em uma cidade próxima. Esperavam atrair 50 mil pessoas. Tiber conversou com o fazendeiro Max Yuger, que alugou sua propriedade, e contribuiu para fazer história.

O Festival foi um sonho musical que trouxe o brilho de Carlos Santana, The Who, Janis Joplin, Hendrix, Alvin Lee e o Ten Years After, Cosby, Stills, Nash and Young, Credence, Traffic, Joan Baez, Sha-na-na, a inesquecível interpretação de Joe Cocker para With a Little Help from my Friends, entre muitos outros.



A região foi invadida por quase 500 mil pessoas. Tomaram banho nos lagos, chafurdaram na lama, consumiram toneladas de drogas, dançaram, cantaram, fizeram sexo e celebraram a Era de Aquarius, engarrafando qualquer caminho e abrindo muitos outros.







Alguns jovens levaram os filhinhos, mostrando-se totalmente tranquilos quanto à segurança da prole. Gostaria de ouvir as recordações dessas crianças de Woodstock.



Uma das imagens mais famosas de Woodstock foi a escolhida para cartaz do documentário e capa do disco, com um casal abraçado, enrolado numa manta, não se sabe se esperando um show ou acordando.




Faltou comida, choveu um bocado, morreram três pessoas, houve muitos atendimentos por overdose, nasceram três bebês.






Se houvesse uma viagem no tempo, bem que eu queria ter um desses ingressos (que no fim, foram dispensados, pois correu muito mais gente do que se imaginava, e a entrada acabou liberada).