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12.5.16

Geração Coca-Cola


A minha geração, os nascidos em 1960, estava na primeira infância em 1964. Éramos crianças quando os Beatles estouraram, muito pequenos para aproveitar Woodstock, ou entender maio de 1968. Crescemos no Brasil do "milagre", um tempo em que perseguições políticas eram mencionadas cautelosamente pelos pais, que proibiam a gente de cantar "Eu te amo, meu Brasil", mas não deixavam de torcer pela Seleção em 70. Não lutamos pelo feminismo, nem contra a ditadura. Dançamos em discotecas, comemoramos a Anistia e pedimos Diretas Já. Assistimos à liberação das peças, filmes, das artes outrora censuradas. E aí vieram eleições diretas. Não fomos caras-pintadas, já éramos adultos desesperados com o confisco das poupanças.

Virou o milênio e acreditamos que poderia haver uma mudança. Houve. 

Como será o amanhã? Parecido com o que conhecemos nos anos 90. E pior. 

Ainda bem que existe um depois de amanhã.

22.11.13

Sorria! Entrevista com Barbara Ehrenreich

Um lado negativo do pensamento positivo

Por Olga de Mello | Para o Valor, do Rio
Divulgação / Divulgação
Barbara: 'Não precisamos acreditar em nada, e sim tentar compreender o que acontece'
A cultura do pensamento positivo enraizou-se de tal maneira na sociedade americana que levou especialistas a desprezar claros sinais de alerta na economia e a ignorar problemas ambientais iminentes, como o furacão Katrina. "Os efeitos econômicos do culto ao pensamento mágico foram desastrosos. Até executivos de Wall Street foram desencorajados a expressar críticas negativas sobre as estratégias de suas companhias; alguns chegaram a perder o emprego por isso", diz a aclamada ensaísta americana Barbara Ehrenreich, autora de "Sorria - Como a Promoção Incansável do Pensamento Positivo Enfraqueceu a América" (Editora Record).
Sem condenar palestrantes motivacionais, a escritora analisa o fenômeno que ganhou força nos EUA na década de 1980 e ainda demonstra sinais de vigor, embora perceba uma "atmosfera um pouco mais sóbria", desde a crise financeira de 2008: "Tenho visto poucos best-sellers sobre pensamento positivo nas listas de mais vendidos", comentou Barbara, em entrevista ao Valor.
O interesse pelo tema surgiu ao receber o diagnóstico de um câncer de mama. Atordoada com a quantidade de recomendações para manter-se otimista, o que, de acordo com outras pacientes, auxiliaria a cura, ela se recusou a aderir ao "recrutamento pelo pensamento positivo". Rejeitou imediatamente a "cultura do laço cor-de-rosa". Em vez de sentir-se confortada pelas mensagens de alento, incomodou-se com a infantilização das mulheres doentes.
Formada em química, com mestrado em física e doutorado em biologia, Barbara seguiu tratamentos médicos convencionais, sem admitir que o câncer fora causado por seu pensamento negativo. Era o início da década de 2000, quando alguns médicos se rendiam a princípios do pensamento positivo, que responsabiliza cada um pelo próprio destino, ignorando fatores genéticos, a educação ou o meio social. A cultura do pensamento positivo chegaria a seu ápice com a publicação do livro "O Segredo", que afirmava haver bases científicas para uma ideologia que se originou no fim do século XIX, em resposta à severidade do puritanismo religioso.
"Na Nova Inglaterra, na virada do século, os líderes do pensamento positivo declaravam que não estávamos condenados ao sofrimento eterno, mas tínhamos direito a uma vida próspera e saudável. Em meados do século XX, o pensamento positivo passa a focar mais no bem-estar financeiro. Qualquer um poderia ser rico, bastava visualizar essa possibilidade, atraindo mentalmente dinheiro para si próprio." A punição ficaria para os pobres e desempregados, que, partindo desse mesmo princípio, nutririam pensamentos negativos. "Era a negação do mundo real, porque tudo o que acontece é reflexo de pensamentos e atitudes."
A dissociação da realidade também recebeu estímulos de algumas igrejas protestantes, que aconselham os fiéis a mentalizar a prosperidade, diz Barbara, que, para a pesquisa, frequentou cultos religiosos e encontros com os que se dedicam profissionalmente à motivação. Mesmo reconhecendo a dificuldade que seria prever a crise financeira, ela diz que o aspecto doutrinário do otimismo generalizado induziu políticos e executivos a valorizar mais o instinto do que o racionalismo nos negócios.
"Fomos bombardeados pelo pensamento positivo por meio de diversas fontes, celebridades, gurus, como Deepak Chopra, palestrantes motivacionais, empregadores. Até mesmo acadêmicos estavam sendo atraídos para a nova ciência da psicologia positiva. Em 2006, alguns gurus de pensamento positivo chegaram a culpar vítimas do tsunami na Ásia pela fatalidade", afirma.
O cenário ideal para a migração do pensamento positivo do campo espiritual em direção ao mundo empresarial começou a tomar forma nos anos 1980, quando as companhias dos EUA contrataram treinadores e técnicos de esportes para fazer palestras motivacionais em encontros corporativos. Termos como "visualizar a vitória" e "transformar a derrota em oportunidade" entraram no jargão de planejamento das companhias. Doença e desemprego deveriam ser encarados como o início de uma nova fase em que o paciente ou o demitido traçariam metas para conquistar a saúde ou a riqueza.
Entre 1981 e 2003, cerca de 30 milhões de trabalhadores americanos regulares perderam o emprego, observa Barbara. Paralelamente ao trabalho dos "coaches", que apontam novos caminhos para os dispensados, solidifica-se a indústria de produtos motivacionais. Só o investimento das empresas americanas em brindes, equipamentos esportivos, camisetas e viagens para estimular os empregados, em 2006, alcançou em torno de US$ 100 bilhões. Os cerca de 40 mil "coaches" espalhados pelo mundo - a maioria na Europa e nos EUA - movimentam US$ 2 bi por ano, informa.
Hoje, o poder do pensamento positivo já foi abandonado como auxiliar terapêutico por parte dos médicos americanos. Barbara aposta em uma mudança gradual de mentalidade. "A noção de um poder superior que nos protege pode ser emocionalmente reconfortante, mas o que precisamos para sobreviver é ter menos crenças e desenvolver um pensamento mais lúcido. Não precisamos acreditar em nada, e sim tentar compreender o que acontece, além de, naturalmente, ser solidário e tomar conta dos outros", diz a escritora, que, apesar de suas ressalvas ao otimismo como filosofia de vida, é "totalmente favorável" às celebrações coletivas.
"Durante milênios, os homens descobriram as melhores formas de passar tempo juntos, combinando música, figurinos, pintura corporal, dançando, festejando e bebendo. Algumas festas tinham cunho religioso, outras eram apenas diversão. Uma das razões para o fortalecimento do pensamento positivo na cultura americana está nas pouquíssimas oportunidades de alegria coletiva. O pensamento positivo é triste alternativa para a alegria em grupo."


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13.1.12

Aquela noite no Circo Voador






Na noite de 15 de janeiro de 1985, fui comemorar a eleição de Tancredo Neves à Presidência da República no Circo Voador, onde diversos artistas se apresentariam.




Um convidado surpresa chegou para uma canja e passou a centímetros de mim, na arquibancada ao lado do palco. Dias antes eu havia visto seu show no Rock in Rio. Até pensei em fazer carinho na careca de James Taylor, mas recolhi a mão esticada, pensando: "Esse mico não pago, que não sou tiete".




James Taylor, levado por Caetano Veloso, foi saudado pelo coro de "Eu, eu, eu, Rock in Rio se ...", comandado por Perfeito Fortuna. Tentou se esquivar de cantar, mas acabou pegando um violão e cantando "You've Got a Friend".




Foi aí que me tornei testemunha ocular da História. A meu lado, um entusiasmadíssimo espectador, revoltado com as cabeças que impediam nossa visão do palco, jogou uma latinha de cerveja nos cabeçudos. E não é que quase bateu na careca do James Taylor?




Imediatamente, o maior negão do mundo, com braços da grossura de minhas duas coxas juntas, subiu a arquibancada, agarrou o arremessador pelo pescoço, vociferando: "Você tem sorte! Se tivesse pegado realmente nele, eu te arrebentava". O arremessador ficou quietinho, eu segurei no ombro do segurança e murmurei: "Moço, ele não teve intenção, não, foi um acidente, deixa pra lá...". O segurança rosnou, olhou pra mim, furioso e desceu para postar-se atrás de James Taylor, que deixou o palco imediatamente após a música.




No dia seguinte, levei a maior vaia no jornal porque não fiz cafuné no James Taylor.

1.11.10


Quem diria, hein?

Sem carisma, sem uma família feliz a seu redor, sem beleza ou doçura, uma mulher que foi à luta e chegou mais alto do que jamais poderia imaginar.

25.8.09

J'accuse Tupiniquim

Alertada por Marcelo Tas, no CQC, me animei a assistir a espinafração pública que Eduardo Suplicy passara em José Sarney.
Que cena patética. O senador Suplicy, incisivo, não difere muito do senador Suplicy conciliador.
O Suplicy é um gentleman, é correto, bonito, mas ... que falta de sal e malemolência.
Até Sarney cresceu em cima da indignação dele.
Tudo bem que Suplicy estava certíssimo: depois de tantas acusações, o imortal autor de Marimbondos de Fogo usa a tribuna para falar de Euclides da Cunha?
Foi o bastante para Sarney se indignar contra o ataque à memória de Euclides da Cunha. E ainda dizer que J'Accuse, invocado por Suplicy como atitude a ser imitada, foi escrito por Emile Zola exatamente para defender Dreyfuss de acusações infundadas.
Bonito ver dois senadores da República deitando erudição!
A massa de eleitores não entendeu nada, assim como, provavelmente, boa parte de seus pares.
Só viram dois senhores trocando mesuras polidas, como lordes do Parlamento inglês. Mas sem um mínimo exigido de indignação latina.

19.8.09

Recordações de uma menina de apartamento



Quando a gente imagina que nossos políticos não têm criatividade em suas propostas, eis que surge o projeto do deputado pedetista Paulo Ramos que determina ao Estado do Rio de Janeiro a criação de pipódromos, locais seguros onde a população seja instada a soltar pipas.
Fui uma criança de apartamento. Não brinquei na rua, mas ainda peguei trânsito interrompido em Ipanema para a molecada jogar futebol nas travessas menos movimentadas. Embora menina, sempre quis soltar pipa. Nem em ventilador, consegui. Um dia, arrumei linha, umas varetinhas, e fiz uma pipa, com papéis pautados, de caderno. Tentei soltar, sem qualquer sucesso, na janela.
Muitos anos depois, um conhecido se acidentou gravemente no Aterro. Passava de moto, num fim de semana, e teve o pescoço envolvido por umna linha com cerol. Sofreu um corte violento, foi levado para o Souza Aguiar onde tomou 54 pontos - internos e externos, creio.(Naquela época, o Aterro era aberto aos fins de semana para lazer, mas motos podiam trafegar.)

Meu encontro definitivo com a atividade veio quando fui escalada para a cobertura de concurso de pipas, patrocinado pelo Globo, claro, no Museu Aeroespacial, na Zona Oeste. Aquelas roubadas de plantão, que cumpríamos temendo que surgisse um crime nas cercanias, levando a um deslocamento que tomaria algo em torno de seis horas da vida.
(ZOeste era aquela área cinzenta na cabeça das chefias de reportagem da década de 80, sempre acompanhada pelas expressões "aí pertinho" ou "aí ao lado", que considera vizinhos Bangu e Mangaratiba. A infeliz equipe percorria Campo Grande e recebia um chamado no rádio para dar um pulinho em Curicica, "que é aí, ao lado". Na Zona Oeste não existe "aí pertinho". Tudo fica, no mínimo, a 15 quilômetros do primeiro ponto.)
Deu tudo certo naquela tarde. Céu limpo, sem cheiro de nuvens, famílias de pipeiros se esmerando em manobras, pipas coloridíssimas que fizeram a festa do fotógrafo e nenhuma conclamação radiofônica para abandonar aquela tranquilidade. Um pipeiro, ao saber de minha total inexperiência no setor, me levou a empinar uma pipa - impressionamente fácil, apesar das puxadas dos ventos.
Do alto de minha parca experiência na atividade, e embora consciente a respeito do perigo da exercê-la próxima às linhas elétricas, acredito firmemente que pipa é igual a peteca ou frescobol. Não é preciso muita regra, apenas disposição para empiná-las. Pandorgas, papagaios, pipas, tomem os céus livremente, sem regulação! Deixem a molecada subir morros e, mais libertário ainda, invadir o viaduto São Sebastião, que liga o Santo Cristo ao Catumbi, perto do Sambódromo, para arranhar os céus com seus pedaços de papel! Pipas são gritos de liberdade.



(Os papagaios sumiram das areias de Copacabana?)

17.8.09

Vamos marinar?



A ex-ministra não está parecendo a Frida Kahlo? E as cores, atrás, são pura paixão nativista.
Uma campanha de proteção ao ambiente político.

16.5.08

É isso aí, companheiro!




Vamos começar a pensar nisso?

15.5.08


Cada vez que a gente reclama da desigualdade social, da falta de educação e de todos os problemas dos quais padecemos surge mais um austríaco maluco para apacientar nossos corações.
Agora tem um doido que matou pai, mãe, mulher, filha, sogros. Estava falido e não queria que a família sofresse.
Isso, semanas depois da descoberta daquela mulher que foi mantida cativa pelo próprio pai, que a engravidou sete vezes. Aos que criticam a moça por não haver se insurgido, bom é lembrar que um pai tem poder, tem autoridade. Manipular a cabeça de um filho não é tão difícil quanto se imagina e nem precisa ser pela força física. Aliás, existe um hábito de culpar a vítima pelo seu sofrimento.
Não custa recordar ainda a jovem Natasha, seqüestrada e separada do mundo durante anos por um doido varrido.
Há quem diga que a tradição austríaca é a do respeito absoluto à privacidade e que esse tipo de coisa não aconteceria num país latino.
Não é de se admirar que a psicanálise tenha surgido em Viena. Mentes doentias existem em todas as sociedades, mas esse distanciamento sistemático do outro é apavorante. Ainda não entrei na fase "porque me ufano de nosso povinho", porém é reconfortante confiar na bisbilhotice dos vizinhos.

10.5.08

Confissão de Fé - puxa a minha ficha no DOPS!


Ressurjo do encarceramento forçado por uma saúde claudicante, que começa a sinalizar a alarmante decadência orgânica, e sou surpreendida ao me descobrir em listas de blogs favoritos de alguns blogueiros-leitores. Normalmente, tal deferência me encanta, mas desta vez fiquei estarrecida, pois um desses blogs me incluiu ao lado de diversos blogueiros da mais festiva e emperdenida direita reacionária. Pessoas que consideram uma indignidade o País ter um presidente sem curso universitário, que se dizem cristãos humanitários e que pregam a pena de morte - a pretos e pobres, claro.
Creio que meu comedimento em comentários amplos e a pluridade nas amizades tenha me levado a ser confundida com pessoas que se dedicam a denegrir a figura de Lula, como se ele fosse o inventor da corrupção ou o causador da miséria moral em que o planeta se encontra há muitos anos. O mais constrangedor é ver meu blog listado exatamente abaixo do nome de um direitista de plantão, um desses tipos que encarnam o personagem na vida real, como fazia o Jece Valadão com sua persona de cafajeste.
Por isso mesmo, abro meu coração e voto, dando o seguinte testemunho:
Em quase 30 anos como eleitora, não houve uma só eleição em que eu não votasse no PT. Ou anulava ou votava em algum candidato petista, geralmente repetindo a dupla verdinha Minc/Gabeira, alternando com alguns postulantes que não chegaram a ser eleitos, indicados por amigos, como líderes comunitários do Santa Marta. Cresci na ditadura, que aprendi a odiar em todas as suas manifestações totalitárias, seja do matiz que se apresentasse. Acredito que qualquer estado tenha condições de manter-se distante da tortura e da exceção. E tenho um tremendo orgulho de viver em um dos poucos países do mundo que ousou votar em um operário para a Presidência da República.
Critico este governo, sim, pela timidez nas reformas sociais. Critico este governo, sim, por render-se a perpetuar um sistema de corrupção ativa, herdado de todas as administrações anteriores, sem tirar nem pôr. Mas tais críticas não me tornam uma reacionária, por favor!

E mais uma vez, informo, a quem interessar possa, que sou anarquista, feminista, flamenguista, carioca da gema, por nascimento, militância e insistência; apaixonada por minha prole, meus livros, meus discos, meus filmes, cinema, música, plantas, bichos, decoração, sapatos, praia, impressões e impressionistas, minha cidade, beber mate, jogar muita conversa fora, cochilar à tardinha, almoçar longamente com meus amigos de diferentes matizes políticos, sociais, sexuais e culturais, com ojeriza ampla total e irrestrita por gente cruel e desrespeitosa.
Revoguem-se, pois, as determinações em contrário.

E por mais que me agrade ser apreciada por leitores de diferentes matizes, indicar este blog ao lado de outros de orientação tão diferente da minha pode ser propaganda enganosa. Igual quando encontrei Hiroshima, Mon Amour classificado como drama erótico e sendo levado para a seção de filmes pornográficos da locadora de vídeo. Tentei explicar ao atendente, mas ele não se rendeu a meus esclarecimentos de que o locador de tal filme ficaria absolutamente decepcionado com o conteúdo dele. Assim como alguém que esperar encontrar aqui um blog extremamente politizado e de condenação sistemática ao atual governo federal.

30.4.08

Aonde você estava em maio de 68?


Eu me lembro de meu pai querendo acabar o filme com esta foto, me mostrando com meu vestidinho quadriculado amarelinho, com alcinhas e bordado inglês. A cara amuada é porque fui interrompida em minha brincadeira com bonecas de papel para posar.

Em 1968, eu tinha sete anos e os passeios do colégio à fábrica da Kibon foram cancelados porque os "estudantes", aquela corja comunista, iriam apedrejar ônibus escolares que passassem pelas ruas do subúrbio. Nem eu acreditei que os garotos fossem tão mobilizados assim, que fariam campanas nas portas das indústrias, saberiam o calendário de visitas de colégios e estariam a postos, prontos a ferir criancinhas do curso primário.
Em 1978, eu ainda estava para entrar na faculdade, e só queria mesmo era dançar discoteca depois da praia.
Em 1988, tive meu primeiro filho.
Em 1998, eu só queria sobreviver.
Em 2008, acho muita graça desses milhares de relatos sob diferentes óticas a respeito dos herdeiros de 68. A direita festiva lamenta a manipulação socialista das mentes puras dos jovens, enquanto dardeja ataques à suposta reeleição urdida pelo golpista Lula, esquecendo-se, naturalmente, que a prática clientelista foi do FHC, ao "aproveitar" a mudança legislativa que permitiu sua permanência no poder por oito anos.
Eu nunca vi um governo ser alvo de tantas críticas apaixonadas quanto o atual. Não que não tenha defeitos. Tem, e muitos. Agora, é pecado mortal o cara não ter completado os estudos? Ele bem que poderia fazê-lo, claro, mas não quis. Dizer que o homem é burro e ignorante é pura cegueira mental. Ninguém se torna presidente do mais importante sindicato da América Latina por injunções políticas. Lula fala bem, é carismático e sabe dominar como poucos uma platéia. Fala erradinho, conta uma piadinha, conquista todo mundo. E, para desespero dos adversários, pegou o País no momento certo. Pela primeira vez a direita se mostrou totalmente incompetente na escolha de um representante.
Agora, no entanto, pode se armar à vontade, com tranqüilidade. Porque o PT, entre todos os desastres que perpetrou, não conseguiu ainda um nome para a sucessão. E, da mesma maneira que só acredito na vitória de meu time quando o juiz pega a bola e sopra o apito final, ainda não me convenci que Lula seja um antidemocrata.
Porque até a direita mais aguerrida pode ser democrática.

6.3.08

É o bicho!!!


A disputa pelo cargo de Alcaide de São Sebastião promete...
Depois que Gabeira aceitou concorrer, surge como candidato o Coronel Marcos, o ex-subcomandante dos Bombeiros, que se aposentou e acabou com o registro fotográfico de cada pingüim, foca, capivara, jacaré ou ornitorrinco que viesse dar nas terras e águas da mui valorosa cidade.
Como Gabeira já usou desenhos de animais em campanhas anteriores (se não me engano, uma presidencial, Artur era pequenino e adorava os anúncios com jacarés falando "Gabeira, presidente do Brasil!") e o Coronel Marcos há de mostrar suas fotografias com a bicharada no colo, pode ser até que os bicheiros abram mais postos de apostas.
Vamos ver o bicho que dá! Afinal, não existe eleição no Brasil sem um Cacareco.

1.2.08

Civismo pré-carnavalesco

Começou uma campanha para o Gabeira candidatar-se a prefeito do Rio.
Deputado federal mais votado do Estado, Gabeira respondeu ao Pedro Dória, autor da idéia, que tem conversado com pré-candidatos para auxiliar na elaboração de programas de governo.
Como legislador, ele é conseqüente e sério. Administração, no entanto, é um pouco mais complicado. Mas estou com os que acreditam que ter Gabeira na prefeitura, depois dos períodos de indiferença de Cesar Maia, não apenas seria bom para a cidade, como para o País. Porque Gabeira tem visão executiva e humanista - conforme expôs em seu programa de governo, quando candidato a governador em 1986, arrebatando a audiência de um debate que seria apenas o tedioso desenrolar de baixarias costumeiras, mas que mostrou alguém com idéias maiores do que xingar os adversários.
A campanha atual ainda é a de convencimento do candidato. Tomara que dê certo. Afinal, meu filho que completa 16 anos em julho já disse que tira o título de eleitor se Gabeira estiver entre os candidatos. Que, por enquanto, têm entre as maiores expressões nomes como Marcelo Crivella e Wagner Montes.