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22.5.16

Meu Oscar


Uma certeza: merece compaixão  quem passa pela vida sem conhecer Oscar Wilde.


15.9.15

Agatha

Agatha Christie evitava sorrir nas fotografias, pois tinha os dentes feios.
Jovem, parece personagem das histórias que criou, com roupas diáfanas, joias à mostra e um ar melancólico.
Como escritora de ficção, perdeu em vendas para William Shakespeare - e ele teve alguns séculos de vantagem...
Toda sua obra soma mais de 4 bilhões de exemplares de livros vendidos em 100 diferentes idiomas.
O Caso dos Dez Negrinhos, seu bestseller, teve algo em torno de 100 milhões de cópias adquiridas mundo afora (J.K. Rowling, com Harry Potter, vendeu "apenas" 250 milhões de livros; mas Dame Agatha não chegou a ficar mais rica que a rainha da Inglaterra).

Se viva, hoje, completaria 125 anos.







Nas fotos, com a filha, Rosalind, o segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan, a quem costumava acompanhar, nas expedições, e com o neto, Matthew.

24.7.14

Ariano

Uma frustração na vida: nunca entrevistei Ariano Suassuna. 
Mas assisti a uma palestra dele, antes das aulas-espetáculo. Eu era muito novinha, acompanhei meus pais a um colégio na Rua Ipiranga. Ele ia falar sobre religião. Falou. Mas também falou sobre futebol, encenou um jogo inteiro, contou a história de amor de seus pais, levou o público às gargalhadas.
Depois, como todos, li/vi "O Auto da Compadecida", "O Santo e a Porca". E acompanhei as comemorações por seus 80, 85 anos.
Queria comemorar os 90.







Agosto antecipado. 

17.4.13

O questionário Proust por Arthur Conan Doyle


Acabei de saber que o questionário ficou famoso porque Proust o respondeu, não porque o criou.
Conan Doyle o respondeu quase telegraficamente (se é que alguém ainda sabe o que é um telégrafo), ou melhor twitteritamente.

24.1.13

Envelheço na cidade

Ouço a cantora Andreia Dias, de voz suave, fazendo MPB de boa qualidade, ou seja, não comercial, não explosiva, mas respeitável dentro do chamado circuito alternativo musical da atualidade. Originalidade não há, não. Há cuidado na escolha dos instrumentistas e no tom blasé característico dessa geração de intérpretes pós Marisa Monte, de boa técnica vocal e nenhuma emoção. Isso fica para as antigas cantoras de vozeirão, herdeiras de Alcione, como a tecnobrega Gaby Amarantos. 
Um dos principais sintomas do envelhecimento, acho, é a falta de curiosidade em relação à nova produção artística em geral. No meu caso, está praticamente restrito à música. Ainda busco novidades em cinema, teatro e literatura. Artes plásticas, bem, esta virou uma intrincada colagem de conceitualismos misturados à física, com algumas experiências bastante interessantes. Poucos são os artistas que insistem em trabalhos que privilegiam a estética, sem um discurso elaborado por trás. No teatro, também há o que dê certo em tanta experimentação, embora o tédio seja quase sempre a tônica dos espetáculos. Cinema tem seguido o ritmo ditado pelos videoclipes. Nenhum take pode se estender por mais que seis segundos. Mas ainda há bons narradores que desafiam a estética tradicional, entre eles o Tarantino. E muito cinema chato também. Literatura, ah, tem a chatérrima, pretensiosa pacas e o entretenimento puro e simples, sem qualquer preocupação com densidade de personagens (e muito retorno comercial), além do experimentalismo aloprado e da incorporação de produtos da indústria cultural, como as histórias em quadrinho, ao panteão das obras artísticas (mas, fora criações novas, como O Gosto do Cloro e O Paraíso de Zahra, tenho visto pouca coisa que demonstre força literária).
A cultura jovem - cada vez mais produzida por gente madura, acima dos 30 anos, mas com postura e visual desalinhado de quem não chegou aos 20 - perdeu um pouco da alegria que caracterizava a juventude. Fora as bobices adolescentes, gente moça que produz cultura tem que armar um olhar aristocrático até quando canta marchinha. Brejeirice é estudada. Falta um pouco de espontaneidade, com honrosas exceções. O artificialismo talvez seja componente importante num mundo em que tudo é observado. Há que se proteger a imagem. Excessos ficam para os artistas populares ou para quem se exibe no Big Brother. Ah, claro, também é reservada aos roqueiros que insistem em manter o comportamento desvairado de Rolling Stones setentões. 
É típico do velho criticar o jovem. Antes se reclamava do jovem que desconstruía a estética. Hoje, além do desmazelo no vestir, qual é a desconstrução? Existe mais uma redescoberta da pólvora, como se fosse original, sem a impetuosidade dos Novos Baianos gravando Assis Valente. 
O chato de envelhecer é que parece que só surgem novidades no campo tecnológico. Os jovens, bem, esses continuam lindos e, felizmente, com a capacidade de se deslumbrarem com o que surge. Ainda bem. 



30.11.12

No Valor Econômico, hoje


A vida é um livro aberto
  •  
Por Olga de Mello | Para o Valor, do Rio
Dois romances e um ensaio já iniciados aguardam o retorno de Alberto Manguel à sua casa, em Poitiers, na França. Nas últimas semanas, o escritor e ensaísta compareceu a eventos literários no Chile, na Inglaterra e na Itália até chegar ao Brasil, onde veio abrir a 7ª Bienal do Livro de Campos dos Goytacazes, no norte do Estado do Rio. "Os escritores se transformaram em caixeiros-viajantes que ganham a vida em leituras e palestras. Isso acaba prejudicando o trabalho de quem precisa escrever", lamentou Manguel, em entrevista ao Valor, no Rio, onde, na noite anterior, esbanjava simpatia no encontro com cerca de cem leitores na pequena Biblioteca Popular de Botafogo.

As viagens abalam a rotina deste argentino naturalizado canadense, que gosta de ler Dante Alighieri diariamente e escrever durante as manhãs. Por falta de tempo, recusa boa parte dos convites que recebe. A princípio, rejeita qualquer atividade de promoção de livros nos Estados Unidos.
"As 'book tours' começaram no século XIX. Era um acontecimento na vida de escritores como Charles Dickens. Mas eles participavam de uma, no máximo duas, dessas viagens. No século XX, elas tomaram um vulto empresarial nos Estados Unidos, onde, atualmente, os agentes literários e as editoras montam sessões contínuas com diferentes escritores se apresentando ao público em grandes livrarias. Não faço mais isso. Hoje, quem quiser ver e ouvir um escritor entra no YouTube", diz.
Em sua 30ª vinda ao Brasil - sempre a trabalho -, atendeu ao chamado para falar sobre a leitura como patrimônio pessoal na era das virtualidades. "Essa profusão de festas literárias em diversos lugares é excelente para os leitores e uma oportunidade para os escritores trocarem ideias, pois, cumprindo agendas lotadas, mal podem se ver", observa Manguel, que aproveitou o festival L'Altra Metà del Libro, que organizou há duas semanas, em Gênova, para se reencontrar com amigos, como os romancistas Ian McEwan e Daniel Pennac. Nos próximos dias, já tem outro compromisso em Paris. E no ano que vem coordenará outro festival, na cidade francesa de Nantes.
O calendário apertado não o convenceu a adotar comodidades como celular e e-mail, embora escreva em computador. Quando viaja, dita os artigos a um digitador, que os envia para quem o contrata. Reconhece a utilidade da tecnologia, mas prefere permanecer distante de algumas facilidades, evitando a leitura em ambientes virtuais.
"Meu filho assiste a filmes numa tela do tamanho de um selo. Eu não consigo. O e-reader é prático para o leitor que vive em trânsito, que não precisa carregar peso na bagagem, mas eu gosto do contato com o livro sólido, físico. A experiência de ler no papel é totalmente diferente da leitura na internet, que acaba dispersando o leitor", diz Manguel, que cultiva hábitos quase anacrônicos, como o de trocar cartas com amigos escritores. Na biblioteca que construiu em Poitiers tem cerca de 40 mil volumes, "todos abertos, nem todos lidos", organizados por temas nem sempre tão eruditos como se imagina de um dos mais reconhecidos especialistas em história da leitura e bibliofilia. Ao lado de livros sobre as lendas de Don Juan e do Judeu Errante, há muito sobre gastronomia e novelas policiais. "Só leio por prazer, o que acontece nas minhas leituras diárias de Dante e também quando pego um livro de Agatha Christie, que escrevia bem. Entretenimento não precisa ser vazio."
É com paixão de militante que ele fala contra o mercado editorial que privilegia a publicação de conteúdos medíocres. Fora do Brasil, afirma, os melhores textos têm sido lançados por editoras universitárias, enquanto as demais preferem publicar gêneros de boa vendagem, seguindo a tendência do momento.
"Uma editora deveria ter o compromisso de formar leitores. Eu me preocupo em ver que elas se tornaram cúmplices da formação não de leitores, mas de consumidores para a sociedade. Quando elas se tornam empresas gigantescas que compram editoras pequenas, estão destruindo a literatura. Seis meses antes de ganhar o Nobel de Literatura, em 2007, Doris Lessing me contou que sua última novela estava prestes a ser recusada por seus editores nos Estados Unidos e na Inglaterra, porque ela escrevia textos muito longos para ser apreciados por um público mais jovem. Isso é um desrespeito com uma escritora de 88 anos, então, com uma contribuição inestimável à literatura britânica. Aí veio o anúncio da premiação e, naturalmente, a situação mudou", lembra-se.
A incorporação de pequenas editoras e livrarias pelos gigantes do mercado também contribui para a perda de qualidade da literatura. O tratamento impessoal dispensado ao leitor nas grandes livrarias mostra o interesse em fomentar só o consumo, diz Manguel, que não se deixa levar pelo discurso de que os livros comerciais sustentam a publicação dos que têm mais qualidade. Falta espírito crítico aos leitores, afirma o escritor, que se surpreendeu com o sucesso de livros eróticos entre mulheres jovens, quando as tramas enfatizam o arquétipo das protagonistas submissas.
"Se as mulheres são 70% dos leitores, deveriam repudiar histórias que vão contra tudo o que se fez para estabelecer a posição feminina na sociedade patriarcal do Ocidente. A maior violência nesses romances não é sexual, mas o fato de impedirem as heroínas de questionar as ordens que recebem dos homens. Isso reforça o mito da inferioridade feminina em pleno século XXI, como se as mulheres não tivessem autonomia para tomar decisões plenamente. Homens e mulheres devem, juntos, como leitores, membros da sociedade, refletir sobre essa literatura que nega ao personagem o direito ao questionamento", diz.
Apesar das políticas públicas de incentivo à leitura, a sociedade desestimula os leitores, acredita Manguel: "A criança que gosta de ler é rotulada como 'nerd' pelos colegas na escola. Isso porque a leitura exercita o cérebro e vivemos uma época em que se recomenda ao jovem que evite as dificuldades, entre elas ler o que vai desafiar seu intelecto. Cada vez mais se compram livros superficiais, de textos curtos. Os leitores têm um poder que eles próprios desconhecem. Deixar de lado livros sem conteúdo forçará o mercado a procurar mais qualidade nas publicações".

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18.10.12

Ismael, Ahab e a baleia

161 anos de lançamento de Moby Dick, aquele que já aproxima o leitor do narrador - e enlouquece os tradutores - na mais conhecida abertura da literatura: "Call me Ishmael".


(Tá bom, a mais conhecida abertura literária é "E no princípio era o Verbo", que enlouquece crentes, ateus, filósofos e leitores: e, tá bom, pra muitos chamar livro bíblico de literatura é depreciá-lo, mas, para mim, é elevá-lo a categorias mais que divinas).

3.10.12

Bom senso e censura são dois conceitos completamente diferentes. Bom senso é não expor crianças a violência, estupidez, grosseria. Censura é impedir que crianças saibam que existe violência, estupidez e grosseria - o que em nada contribuirá para o desenvolvimento delas no mundo real. Bom senso é dizer que caçar animais por esporte é crueldade, mas que sua prática sempre foi disseminada como um ritual para assegurar a virilidade dos homens que trucidam elefantes, onças, raposas, touros e outros bichos. Censura é proibir que qualquer forma de arte reproduza a tal prática.

Meu preâmbulo é a explicação do texto que publiquei duas semanas atrás na minha coluna Para Ler na Rede, que sai no Portal de Anna Ramalho e nos sites Cinema.com.br e Investimentos e Notícias. A coluna está nos links, mas também abro aqui, porque a polêmica é ridícula, forjada por grupos que buscam a notoriedade, ainda que momentânea, acusando o Monteiro Lobato de racismo. Eu diria que ele foi um homem de sua época.
E segue a coluna (A charge do Ziraldo, acima, é a do bloco Que Merda é Essa?, que dedicou o desfile de 2011 à discussão sobre Lobato, o preconceituoso):


Lobato, o racista, e os cocorocas de Stanislaw


Monteiro Lobato não me inoculou o vício da leitura, mas foi um marco no meu aniversário de sete anos, quando ganhei a coleção que li e reli anos seguidos, descobrindo a mitologia grega, a História, Dom Quixote e Peter Pan. Passou o tempo e Lobato, o escritor que usava a boneca de pano Emília para clamar contra a guerra, o racismo e a falta de nacionalismo, que criou o Jeca Tatu, o caipira largado à própria sorte por um governo que ignorava o homem do campo, virou um perigoso subversivo que difundirá o racismo entre o público infantil, além de contribuir para a difusão de crimes ambientais, entre eles a caça à onça-pintada.





Ver em Caçadas de Pedrinho um incentivo a safaris é o mesmo que considerar Moby Dick (Landmark, R$ 49), de Herman Melville, um manual de caça à baleia. O mesmo poderia ser dito sobre O Velho e o Mar (Bertrand Brasil, R$ 31), de Ernest Hemingway. Além de delinquente ambiental, Lobato estimularia o racismo em diversas de suas obras, entre elas o primoroso conto Negrinha. A protagonista é uma menina órfã, que vive na casa de Inácia, uma viúva sem filhos que se compraz em torturar a criança diariamente. Negrinha só conhece a alegria quando as sobrinhas de Inácia a convidam para brincar. O conto, curtinho, pode ser lido aqui http://www.bancodeescola.com/negrinha.htm. Lobato, o racista, assim descreve Inácia:



“Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu. (...) Uma virtuosa senhora em suma — “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo. (...) Era mestra na arte de judiar de crianças. Vinha da escravidão, fora senhora de escravos — e daquelas ferozes (...). Nunca se afizera ao regime novo — essa indecência de negro igual a branco (...)”.



Se este trecho não demonstra o repúdio do escritor à Inácia, se não configura uma crítica violenta ao racismo, realmente, não sei mais ler. Também já se atribuiu o pejo de racista a Manuel Bandeira pelo belo poema Irene no Céu, em que “Irene Preta/Irene boa/Irene sempre de bom humor” chega ao paraíso, pedindo “licença, meu branco” a São Pedro. Este responde que ali ela não precisa pedir licença. Bandeira estaria disseminando a submissão dos negros perante os brancos. Quem levanta tais questões só merece ser classificado de “cocoroca”, como Stanislaw Ponte Preta definia os implicantes sem imaginação ou espírito crítico. Algo comum aos não leitores. Não há o menor risco de Monteiro Lobato ou Manuel Bandeira estimularem ideias racistas. A imensa maioria dos brasileiros da atualidade não os leu nem jamais os lerá.



É pena que Lobato e Bandeira sejam desconhecidos para muitos. Uma pena, também, que poucos saibam quem foi Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do jornalista Sérgio Porto, autor do divertido Febeapá – O Festival de Besteira que assola o País (Agir, R$ 63,90). Lançado em 1966, o primeiro volume foi um sucesso e teve duas edições nos anos seguintes, sempre com coletâneas das bobagens proferidas por brasileiros. Talvez hoje a ironia de Sérgio Porto não se adequasse aos tempos politicamente corretos. No entanto, muito do que ele registrou é semelhante ao que continua se falando Brasil afora. Podem conferir!



"O mal do Brasil é ter sido descoberto por estrangeiros" (Deputado Índio do Brasil, Assembleia do Rio).

O Diário Oficial publica "Disposições de Seguros Privados" e mete lá: "O Superintendente de Seguros Privados, no uso de suas atribuições, resolve (...), "Cláusula 2 — Outros riscos cobertos — O suicídio e tentativa de suicídio — voluntário ou involuntário".

A Polícia de Mato Grosso não é nem mais nem menos brilhante do que as outras polícias. Tanto assim que um delegado de lá, terminou seu relatório sobre um crime político, com estas palavras: "A vítima foi encontrada às margens do rio Sucuriu, retalhada em 4 pedaços, com os membros separados do tronco, dentro de um saco de aniagem, amarrado e atado a uma pesada pedra. Ao que tudo indica, parece afastada a hipótese de suicídio".Em Campos (RJ) ocorria um fato espantoso: a Associação Comercial da cidade organizou um júri simbólico de Adolph Hitler, sob o patrocínio do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito. Ao final do julgamento Hitler foi absolvido.




31.1.12

As mais lindas livrarias do mundo

Nesses tempos em que os livros de papel estão fadados a figurar em museus, ainda há belíssimos templos que os vendem, mundo afora. Aqui no Rio, temos as lindas livrarias da Travessa, uma rede que mantém qualidade - os vendedores conhecem livros - e a beleza das instalações (mesmo quando são em locais pavorosos, como o Shopping Leblon - ô, troço feio...)

Mundo afora são muitas as livrarias bonitas. Não pude reproduzir aqui as fotos de uma que fica en Santorini, a Atlantis Books, pequena e cercada por um cenário encantador. Escolhi algumas aqui, e quis destacar outras, para embonitar essas areias.









A Lello, no Porto, em Portugal, é um luxo só.











Ateneo, em Buenos Aires, era um teatro.




O Café-Livraria - Cafebreria - El Pêndulo, no México, junta duas paixões minhas: livros e plantas.





A lendária Shakespeare & Company, em Paris, que perdeu há pouco seu fundador, George Whitman, que acolhia hóspedes, com o compromisso de que eles lessem um livro por dia.






A Bart's Books, na Califórnia, é outra que permite ao leitor aproveitar o solzinho e escolher seus livros.












4.12.11

No escurinho do cinema

Minha coluna Para Ler na Rede está também no site Cinema.com.br desde semana passada. Os links estão ao lado, mas abro aqui a coluna que saiu hoje.

No escurinho do cinema

Posted on Dom, 04 de Dezembro de 2011 15:30
Olga de Mello

Quase nasci dentro de um cinema – de onde minha mãe retirou meu pai, revoltado, para seguirem até o hospital, onde surgi para o planeta algumas horas mais tarde. No dia seguinte, meu pai foi acabar de ver o filme – Os Primos, de Claude Chabrol, nouvelle vague em sua total acepção.

Cresci ouvindo os relatos de meus pais sobre os “filmes proibidos” que a idade me impedia de assistir. Eles me levavam à cinemateca do Museu de Arte Moderna carioca, meu refúgio nos fins de semana, já adulta, quando estava sem programa e descobrira as delícias de ir ao cinema desacompanhada. Aos poucos, montei uma modestíssima biblioteca sobre cinema, mais com biografias de artistas e escassas análises a respeito de gêneros ou diretores em português. Até a década de 1980, eram volumes caríssimos, geralmente em inglês, os que abordavam a história e o impacto dos filmes na vida dos espectadores. Uma das raridades traduzidas, então, foi o maravilhoso A Cidade das Redes (Companhia das Letras, R$ 76,50), de Otto Friedrich, que trata da Hollywood nos anos 40, abordando desde os primórdios da indústria até o apogeu do star system.

Quase 30 anos depois, outro livro sobre cinema me impressionava. Em doze dias, no fim de 2009, devorei Easy Riders, Ragging Bulls – Como a Geração Sexo-Drogas-e-Rock’n'Roll salvou Hollywood (Intrínseca, R$ 29,90), de Peter Biskind. Na época, escrevi que difícil era parar a leitura e tocar a vida, já que estava fascinada pelas histórias sobre a recuperação da indústria do entretenimento nos anos 60/70 por Martin Scorcese, Francis Ford Coppolla, Spielberg, George Lucas, Alan J. Pakula, Hal Ashby, Arthur Penn, Paul Mazursky, Woody Allen, Sidney Lumet, Sidney Pollack, Frankheimer, William Friedkin, Peter Bogdanovich, Bob Rafelson, Bob Fosse, Paul Schrader, Brian De Palma, Robert Altman, entre outros. Quando acabei de ler, senti um vazio, como se houvesse perdido uma grande paixão, devastadora, inebriante e breve.

Sem tanto arrebatamento, percebo a ampliação de publicações para os que gostam de reflexões sobre cinema. Alguns títulos até parecem pretensiosos, como Tudo sobre cinema (Sextante, R$ 59), que, à primeira vista, poderia ser tomado por mais um livro-presente, repleto de fotos e observações básicas sobre filmes. Editado pelo historiador Phillip Kemp, o volume de mais de 500 páginas é fartamente ilustrado e traz informações preciosas, desde as experiências dos irmãos Lumière. A seleção de filmes é de um grupo de especialistas britânicos e não deixa de fora sequer os pipocões baseados em histórias em quadrinho, mesmo privilegiando as linguagens mais sofisticadas.

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Para quem não quer se enredar em considerações artísticas, sempre há os livros que inspiram filmes. Alguns são quase roteiros prontos, como o clássico Crônica de uma Morte Anunciada (Record, R$ 34,90), de Gabriel Garcia Marques, levado ao cinema por Francesco Rosi. Pedro Almodóvar gosta de policiais. Adaptou Carne Trêmula (LP&M, R$ 18), de Ruth Rendell, e, recentemente, Tarântula (Record, R$ 29,90), de Thierry Jonquet, que ganhou o título A Pele que Habito. O chileno Antonio Skármeta já era respeitado como romancista quando seu Ardente Paciência – originalmente publicado no Brasil pela Brasiliense, mas que hoje tem edição da BestBolso (R$ 12,90) como O Carteiro e o Poeta, título imortalizado nas telas, sob direção de Michael Radford. A doçura do cinéfilo Skármeta pode ser conferida na bela novela Um Pai de Cinema (Record, R$ 27,90), que dá a sensação de ser curta demais, de tão deliciosa. Igual a filme bom que não sai de dentro do espectador mesmo quando as luzes se acendem no fim da sessão.

6.3.11

De outros carnavais

Em pleno retiro literário carnavalesco - só faço ler, recebendo a brisa do ventilador de teto, num verão, que felizmente, deu trégua ao carioca -, sofrendo por conta de uma tremenda tendinite, evito cair na folia. Fiquei velha, talvez, mas não posso expor meu braço contundido ao risco de encontrões e esmagamentos nos blocos, que frequentei religiosamente ao longo de anos, quando pular na Banda de Ipanema era sair da praia e encontrar a vizinhança cantando marchinhas ancestrais. Adoro bloco, carnaval, música. Mas tenho pavor claustrofóbico de enfrentar multidões ensandecidas, sufocantes. E observar carnaval ... bem, não estou ainda na fase de bater palmas porque sou turista. Continuo sendo representada na fuzarca por meus jovens e audazes filhos.

Um dos sambas-enredos a me encantar, ainda menina, foi "O Mundo Encantado de Monteiro Lobato". Eu tinha uns seis anos, quando foi lançado. Um ano depois, era uma leitora apaixonada por Monteiro Lobato, homem de talentos múltiplos, visionário, arrojado, progressista e... racista. Agora virou pecado admirar a obra de Lobato, que oferece aos jovens o perigo de uma formação racista. Olha, se depender da leitura de Lobato para as gerações X, Y ou Z abraçaram o racismo, podemos ficar tranquilíssimos.
Até eu, encantada que fui por ele, reconheço: o enredo ainda é ótimo, mas a linguagem ficou ultrapassada. Língua muda, a forma de escrever, de se dirigir ao leitor, precisa ser atualizada, sim.
A garotada que gosta do "Sítio" sequer abriu "Reinações de Narizinho". Nossos intelectuais precisam, urgentemente, compreender que as novas gerações não lêem muito, mesmo gostando de Harry Potter, vampiros e princesas. Preferem assistir em cinema, claro, que é muito mais prático, mesmo retirando o poder de criação do leitor, que pode imaginar a imagem de um personagem totalmente diferente do que o autor concebeu. Esses novos leitores conhecem Lobato pela televisão e ainda associam à música do Gil.
Lobato era racista, sim, igualzinho a muitos homens e mulheres de sua época. Igual a muitos de meus parentes que passam dos 80 anos hoje. Eles foram criados em outro mundo, aquele em que "asneira", "gabolice", "fanfarrão", "folgazão" eram termos utilizados e compreendidos por leitores nem tão sofisticados assim.
Temos a capacidade de separar o criador da criatura, de deixar as críticas ao comportamento do autor não permearem sua obra? Isso é bastante difícil, mas a gente consegue fazer o mesmo com os parentes caretas, retrógrados, reacionários, respeitando as diferenças ideológicas para permitir a convivência pacífica. Que seja igual com o artista, desde que seu trabalho não seja eminentemente catequista - como, tenho certeza - não era o de Lobato.
Sobre este tema eu me estendi no Estantes Cariocas, aí ao lado.
No mais, Evoé, Momo!

26.2.11

Os livros e o cinema - Para ler na Rede

As imagens que saltam das páginas
Sex, 18 de Fevereiro de 2011 23:16


No milênio passado, quando eu era uma adolescente metida a intelectual, aguardando minha mãe comprar entradas para Romeu e Julieta, de Franco Zefirelli, ouvi a conversa animada de três garotas que acabavam de sair do cinema. Enquanto uma suspirava pela beleza do ator que fazia o Romeu, outra enxugava as lágrimas. A terceira, que devia ter a mesma idade que eu, em torno de 13 anos, revelava às amigas, olhos brilhando: “Sabem que saiu o livro?”.

Ver o filme e reler a peça foi minha primeira providência, ao voltar do Bruni Ipanema, naquela tarde. O encantamento com a versão de Zefirelli da mais triste história de amor entre dois adolescentes me levou a experimentar uma leitura diferente, a que compara o texto às imagens, percebendo cada um como obras separadas. “Preferi o livro!” é a conclusão triunfal da maioria dos que vão ao cinema conferir as encenações inspiradas pela literatura. De minha parte, sou bastante tolerante – gosto de imaginá-las independentes.

bravuraindomita-livroE nesses dias pré-entrega do Oscar, não faltam histórias originais que invadem as livrarias, buscando reproduzir o sucesso dos filmes em cartaz. As comparações são inevitáveis. Quem assistir a Bravura Indômita, dos irmãos Coen, observará a fidelidade ao divertido romance de Charles Portis, lançado aqui pela Objetiva (R$ 29,90), incluindo a narrativa em primeira pessoa da saga da jovem que quer vingar o assassinato do pai. Indicado ao prêmio de roteiro adaptado, assinado pelos dois diretores, tem um fortíssimo concorrente na adaptação de Aaron Sorkin para Bilionários por Acaso (Intrínseca, R$ 29,90), de Ben Mezrich. O filme de David Fincher, A Rede Social, resolve com eficiência as situações narradas no livro, que oscila entre o relato jornalístico e a prosa em estilo quase ficcional. Já O Efeito Facebook (Intrínseca, R$39,90), de David Kirkpatrick, traz a história oficial da criação da rede, com depoimentos colhidos entre muitos dos que participaram de sua fundação, entre eles Mark Zuckenberg.

Se o leitor busca veracidade, melhor ater-se aos documentos reunidos em O Discurso do Rei (José Olympio, R$ 29,90) para abordar o relacionamento entre o monarca britânico George VI e Lionel Logue, o terapeuta australiano que o curou da gagueira. Os diários de Logue foram entregues aos produtores do filme por seu neto, Mark Logue, co-autor do livro com o jornalista Peter Conradi. Neste caso, livro e filme são dois produtos completamente diferentes, já que o primeiro se atém ao registro dos fatos, enquanto o segundo segue uma linha dramatúrgica nem sempre fiel à história – incluindo aí a forma íntima de Logue dirigir-se ao aristocrata.

O registro histórico também está em A Última Estação (Record, R$ 49), de Jay Parisi, que chegou às livrarias brasileiras em 2009. Dois anos depois, entra em cartaz o filme de Michael Hoffman, que mostra os conturbados últimos dias de vida de Lev Tolstói. Na tela, o escritor é vivido por brilhantemente por Christopher Plummer, indicado ao Oscar de ator coadjuvante. Interpretando a mulher de Tolstói, Sofia, Helen Mirren é candidata ao Oscar de melhor atriz. Em livro ou em filme, A Última Estação pode ser um bom aperitivo para a degustação de magníficas criações de Tosltói, entre elas Anna Karenina, A Morte de Ivan Ilitch ou Sonata a Kreutzer.

Para encerrar o giro cinematográfico-literário, quase um ano após a premiação do Oscar de Filme Estrangeiro de 2010, sai agora no Brasil O Segredo dos Seus Olhos (Suma das Letras, R$ 29,90), do argentino Eduardo Sacheri. O romance, que entremeia histórias de amor com investigações policiais, traça um contundente panorama de seu país ao longo de diferentes momentos políticos – uma característica da literatura e do cinema argentino contemporâneos de diferentes momentos políticos – uma característica da literatura e do cinema argentino contemporâneos.

29.1.11

Para Ler na Rede

Acaba de estrear minha coluna sobre livros no site Investimentos e Notícias.
O problema é que não consigo postar o link aqui, mas quem quiser ver, cola o endereço lá em cima que vai chegar no texto, tá?

http://www.investimentosenoticias.com.br/colunistas/para-ler-na-rede/abrindo-a-rede.html

7.10.10

Viva Vargas!!!!


Um Nobel de literatura latino-americano! Merecidíssimo.

12.2.09

Sarau virtual

Nestas divagações sobre o bloguear, reaparece o Halem, com um blog novo que eu muito ambicionei montar em diversas ocasiões. No Sinistras Bibliotecas , ele leva à discussão sobre temas literários. Algo que eu gostaria muito de fazer, mas, como até expliquei ao Halem, me constrange um pouco. Primeiro, porque não sei quem estaria disposto a entrar no debate. E autoreflexiva eu já sou sozinha, aqui. Segundo, por uma questão profissional. Como leio muitos livros para montar releases ou entrevistar seus autores, não posso emitir minha opinião desfavorável sobre boa parte deles. Mas o que me agradam todos sabem. Eles estão aqui ao lado...
Leio muito e muita coisa ruim. Aliás, poucas publicações me encantam e, quando o fazem, trato de anunciar aos quatro ventos. É mais ou menos o mesmo com cinema. Vejo tantos filmes que nem dá pra respirar e avaliar com isenção. Nem tenho tal pretensão, porque sou muito do "gosto" e "não gosto" - algo que a arte vem deixando de lado ultimamente. Importante é marcar presença, difundir conceitos e ideias, não conquistar adeptos. Eu gosto de me apaixonar por livros e filmes.
O teatro, minha mais recente atribuição profissional, esse então fica bem longe de minhas opiniões. Até porque eu não quero me indispor com os artistas e com os assessores de imprensa. E até porque teatro ruim não é igual a cinema ruim. Filme quando é chato, a gente dorme ou vai embora. No teatro, nem pensar. Vamos deixar o coitado que esta em cena perceber nosso desagrado? No mínimo, é uma descortesia.
Mas o que importa hoje é chamar pra conversa nas bibliotecas sinistas do Halem. Um dia eu monto a minha salinha de discussão literária virtual. Com uma decoração coloridinha, claro! Mas isso ainda demora!

15.1.09

Adeus de dezembro

Harold Pinter, dramaturgo

25.12.08

Um presente de Natal


Apesar da lufa-lufa da véspera de Natal (supermercado-manicure-compras de última hora- almoço na Titia-telefonemas de votos festivos-ceia nos compadres), a tranqüilidade da festa máxima do comércio encontra minha casa em ampla, total e irrestrita desorganização, com papéis e fitas espalhados por todos os cômodos.
Antes que se inicie a correria de hoje (interurbanos aos amados distantes-almoço na casa de amigos-lanche na casa de outros) e a depressão pós rabanadas, na subida sobre a balança, me entrego à degustação de uma deliciosa novela de Alan Bennett - Uma Real Leitora (An Uncommon Reader), publicada aqui pela Record.
É o mais recente trabalho deste dramaturgo inglês, conhecido no Brasil pelos roteiros dos filmes As Loucuras do Rei George, The History Boys (que passa sempre em TV a cabo) e Prick Up you Ears, um filme sobre o Joe Orton, com Gary Senise e Alfred Molina bem jovens (acho que só vi em vídeo, priscas eras atrás).
A leitora incomum é Elizabeth II, a rainha inglesa, que descobre a paixão pela leitura às vésperas de seus 80 anos. Só que a novidade afeta tudo o que a cerca, já que ela se acostuma a viver acompanhada por livros.
Qualquer viciado em leitura se vê na personagem. E, por ter acabado de experimentar uma situação muito particular, compreendi o quanto ser leitor incomoda a quem não desfruta da mesma graça. Mais interessante: nos faz refletir o quanto a leitura pode ser subversiva. Esta leitura foi o meu presente de Natal, numa manhã quente de um verão que tenta se mostrar.
(A rainha da Inglaterra, agora velhinha, está virando figurinha fácil no imaginário dos artistas ingleses. Começou com A Rainha, de Stephen Frears. A leitora apaixonada, pra mim, não tem a cara de Elizabeth, mas da Helen Mirren, que vai custar a recuperar suas próprias feições, creio. )

16.12.08

Meus melhores livros do ano

Fim de ano é época de fazer listinhas. Retrospectos, projetos, a dos presentes de Natal (aquilo que você dá e nunca recebe na mesma quantidade, qualidade ou intensidade) ...
Eu adoro listinhas. Principalmente aquelas dos 100 melhores filmes de todos os tempos (o grosso é produção americana, mas aí até a gente tem que relevar, porque eles são os segundos grandes produtores de filmes; o duro é quando entram equívocos como Jerry Maguire ao lado de Charles Chaplin), os 100 discos indispensáveis na vida de qualquer ser contemporâneo (atenção, as únicas concessões à antigüidade neste quesito são Miles Davis e Billie Holliday; e qualquer Velha Guarda do Grêmio Recreativo Nhonhoco do Jongo autêntico, claro), os 100 grandes livros que a humanidade precisa ler (só tem literatura norte-americana, inglesa, Dostoievski pra não pegar mal, os franceses básicos, alguns filósofos metidos a besta, três alemães pesadões além de Thomas Mann, dois italianos, Gabo, representando a América Espanhola, Cervantes e, vez por outra, um Machado de Assis).
Como estou exausta de tanto trabalhar nesse finzinho de ano, resolvi me distrair criando minha listinha dos cinco melhores livros lidos este ano. Só cinco, pra não cansar ninguém. De teatro, não falo, pois labuto no setor e sou totalmente isenta. De cinema... nossa, acho que não vi NADA bom este ano. Nada que me enchesse os olhos, ouvidos e mente. Mas pelo menos cinco grandes livros eu li, eu sei. Uma listinha sem ordem, sem eira, ira ou beira.

1. O show do eu - A intimidade como espetáculo (Nova Fronteira) - A antropóloga Paula Sibilla escolheu a sociedade do espetáculo como tema de sua tese de doutorado em Comunicação na Universidade Federal Fluminenes. O livro é a tese reeditada para leigos, sem as amarras do texto acadêmico. Nele, Paula fala de diferentes aspectos da sociedade ocidental contemporânea, que não apenas tornou-se voyeur como criou uma nova exigência: todos precisam se exibir e marcar presença, mesmo sem uma produção consistente. Exemplo fácil: Maddona, uma persona muito maior do que a cantora, sua profissão original.

2. A Exceção (Intrínseca) - O thriller do dinamarquês Christian Jungersen trata da politicagem em um pequeno escritório de uma organização humanitária, revelando a mesquinharia que qualquer ser humano pode experimentar. Também explora um lado interessante do paraíso social nórdico e o egoísmo cultivado por gente que torna a solidariedade uma profissão.

3. Uma Breve História de Tratores em Ucraniano (Bertrand Brasil) - Os conflitos familiares - e legais - provocados pelo casamento de um ucraniano idoso com uma jovem conterrânea voluptuosa, que quer o conforto e uma permissão de residência na Inglaterra, contado pelo ponto de vista das duas filhas do velho viúvo. Tragicômico e previsível como a vida real, o romance da inglesa Marina Lewicka (descendente de ucranianos) aborda um tema tocante e banal com mordacidade e ternura.

4. A Casa do Califa - Um ano em Casablanca (Roça Nova) - Especialista em livros de viagem, o inglês (descendente de afegãos) Tahir Shah conta a epopéia de sua mudança para Casablanca com a família e a reforma do palacete que ele comprou, ao lado de uma favela. Além dos dissabores comuns em qualquer obra, eles precisam enfrentar empregados prá lá de pitorescos, respeitar o calendário religioso e contratar exorcistas para expulsar demônios da casa.

5. Roma S.A. (Rocco) - Sob o pseudônimo de Stanley Bing, o vice-presidente de Comunicação da CBS criou uma carreira paralela de comentarista de economia. Iconoclasta, ele conta a história de Roma através da visão do mundo corporativo, desde sua mítica criação por Rômulo e Remo, até sua reinvenção e permanência no domínio de um mercado bem maior do que as fronteiras físicas do mercado, quando transformou-se em sede da Igreja Católica.

Taí! Uma lista absolutamente OFF. Selecionei essse porque me vieram à memória recente. Mas é claro que posso me lembrar de muitos e muitos outros.