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22.3.14

A geladeira é 30 litros menor que a outra. Faz sentido essa frase? Bem, a capacidade da droga da geladeira é menor. Mas a outra tem que ser descongelada, é um inferno.
Acho que manterei as duas monstrengas.
E só posso ligar a nova depois que comprar um benjamim de três pinos, porque a maldita tem plug de três pinos, ao contrário dos últimos eletrodomésticos que acabei de comprar (máquina de lavar roupas, TV e fogão). Todos têm dois pinos. O único a seguir o maldito padrão brasileiro é o da geladeira.
Fazer o quê? Esperar o eletricista,que disse que vinha hoje.Mas vai me dar o bolo. Eu sei. Não será a primeira vez. Nem a última.
Ah, vida moderna.


21.3.14

Sempre achei que deveria limitar minhas compras pela Internet a objetos pequenos. Em vista dos alucinantes preços de eletrodomésticos, que sofreram bons aumentos depois de dezembro, e do estado de decomposição da geladeira que mal nos serve há 13 anos, optei por encomendar uma Cônsul, do Ponto Frio, pelo site. 
Chegou uma semana antes do dia marcado. E, claro, não passa pelas portas exíguas de meu apartamento de 71 anos. Porque era assim: construíam um imóvel com pé direito de 3 metros e cômodos amplos. Entrar nesses cômodos era para gente miúda, objetos pequenos, tudo esmirradinho.
Então, tiramos as portas da sala e da cozinha. A geladeira passou pela primeira. Pela segunda, só se tirar a porta da própria geladeira, o que ocorrerá amanhã, quando vier a assistência técnica e eu pagar módicos 130 REAIS por um serviço que deverá tomar algo em torno de vinte minutos do técnico. E não dá pra fazer por conta própria. Acaba com a garantia, além do risco de desmantelar os contatos elétricos.
Aborrecimento que ainda compensa, financeiramente, já que o mesmo modelo custa, em média, 35% mais caro nas lojas físicas, e não evitaria o dissabor de ter que chamar os técnicos pra retirarem a porta etc e tal. 
Ah, vida moderna...

12.12.13

All that gas

Há anos, o gás natural entrou no Rio, com toda a força. Na minha casa, estourou um fogão Brastemp velho de guerra, que sobrevivera por quinze anos, firme e forte. Não depois do gás natural, que estilhaçou toda a porta de vidro do forno. Comprei outro, baratinho, um Continental, modesto, sem acendimento automático. Durou uns quatro anos, mas já tinha substituído todos os acendedores, que eram queimados pelas chamas. O vidro do forno também estilhaçou-se. Depois, começou a se romper.
Há duas semanas, comprei um fogão simples, da Brastemp, não tão barato assim. Em quatro anos, os fogões aumentaram muito de preço, com ou sem IPI. Então, chamei a empresa para fazer a conversão de gás de botijão para encanado. O técnico, um homem muito gentil mesmo, coitado, ofereceu-se para fazer a instalação, o que seria caro, porém daria uma maravilhosa garantia ao produto. E não é que ele arrebentou a canalização de gás?
Imediatamente chamei a CEG, que lacrou meu relógio por causa do escapamento. Consegui que um gasista fosse ver o estrago no dia seguinte. Telefonei para a autorizada que, ontem, dizia que pagaria em dinheiro meu prejuízo. Hoje, cadê o gerente da autorizada?
Liguei pra Brastemp, registrei o caso e, em 72 horas úteis deverei ter um retorno da reclamação.
É dura a vida de consumidor no Brasil.
Ah, sim, só amanhã a CEG vai religar meu gás. As 72 horas inúteis de banho frio e no sanduíche, essas não têm ressarcimento.


17.8.09

Cantinho do Consumidor

Mais uma imensa vitória para o consumidor brasileiro!!!
A Justiça determinou que as empresas de TV por assinatura não podem cobrar pela "programação veiculada através de ponto extra". No entanto, podem cobrar o aluguel dos equipamentos.
Mudou o quê, mesmo?

O alento, tentamos conseguir ouvindo Gal cantar Mamãe, Coragem!, de Caetano e Torquato Neto.

23.7.09

Cantinho do Consumidor

Na outra encarnação eu fui daquelas funcionárias públicas que olhava o cidadão por cima dos óculos para presbiopia, com cigarro nos lábios e um ar de total desdém pela causa apresentada. Só isso justifica meus padecimentos com operadoras de serviços que não são prestados condignamente.
Na verdade, todos têm um pecado comum no qual incorri: atraso de pagamento. Atrasei, paguei fora do prazo, o telefone foi cortado para ligações por um dia, avisei que já havia pago e recebi o prazo de religação em 4 horas. Se nada acontecesse até então, que eu informasse à empresa.
Assim o fiz. E aí soube que:
1) o processo de religação já fora iniciado, mas por erro do sistema, interrompido;
2) quando o processo é interrompido por erro de sistema, o prazo é automaticamente estendido para mais quatro horas;
3) um supervisor fará a religação em dez minutos, se tal não ocorrer, o prazo é automaticamente estendido para mais 24 horas a partir da abertura do processo;
4) o sistema não consegue desbloquear contas do Oi Fixo se o assinante tem um Oi Conta Total;
5) o Oi Conta Total não tem como entrar nas contas do Oi Fixo;
6) a equipe técnica é que resolve esses problemas;
7) a equipe técnica não tem nada a ver com tais problemas do sistema acionado automaticamente por computador;
8) abre-se um pedido de reparo técnico de qualquer maneira;
9) se o seu aparelho é sem fio (não é), ligado em rede (não é), utiliza Velox (não utiliza), tem identificador de chamadas (não tem) pode impedir a religação da linha;
10) doze telefonemas e vinte horas mais tarde, o telefone volta a funcionar perfeitamente.

A verdade? Eu caí no buraco negro das reclamações de consumidores brasileiros, aqueles que precisam de uma imensa pachorra para alcançar um estágio de alma elevadíssimo e não se importar com o desconforto de depender da tecnologia de ponta.

Perguntas? Muitas. Entre elas QUAL É O TIPO DE TREINAMENTO QUE RECEBE ESTE PESSOAL DE ATENDIMENTO??? Para obter alguma resposta que faça sentido, a gente pena.
Eu tenho certeza que o inferno é administrado por algum ex-gerente da Telemar. Ou da Net.

10.7.09

Defesa do Consumidor

Há muito abandonei aqueles tapetes atoalhados de banheiro por tapetinhos feitos em tear. Alguns são mais grosseiros, outros mais elaborados, todos com cores exuberantes. Alegram banheiros e cozinha, além de guardar pouca poeira, serem fáceis de lavar etc e tal.
Vez por outra, renovo o estoque dos tapetinhos nos camelôs ou em lojinhas de artesanato bem simples (as mais sofisticadas devem cobrar 20 reais por peça).
Há algum tempo, descobri uma loja de móveis de Tiradentes que vende por 12 reais cada três tapetinhos, com tramas mais delicadas. Corri, então, à minha antiga fornecedora, uma senhora que tem uma daquelas pavorosas barraquinhas no metrô de Botafogo, para conferir o preço dos tapetes dela, que, por meus cálculos ingênuos, deveriam estar em torno de 5, 6 reais.
Mas os preços subiram acima do razoável. Hoje, ela pede por cada tapete 8 reais. Quando percebeu minha surpresa, perguntou agressivamente: "Está achando caro? Não é caro, não!". Falou de um jeito que eu dei a desculpa de estar sem o suficiente para comprar tais preciosidades.
A inflação ronda os camelôs. E vai alcançar os panos de chão.

9.6.09

Cantinho do Consumidor

Aconteceu com minha amiga C, que estava no recôndito de seu lar quando foi abordada pela TIM, operadora de seu celular. Cedeu à tentadora oferta de adquirir um telefone fixo da TIM. Recebeu o aparelho, mas por mistérios jamais desvendados, não conseguiu fazer sua ativação de acordo com as instruções telefônicas da própria empresa.
Decidiu, então, cancelar o plano, já que não haveria a menor possibilidade de usufruí-lo. A primeira providência era devolver o aparelho. A TIM entrega, mas não recolhe os aparelhos. Telefonou para lojas da operadora. Nenhuma queria receber o telefone, sempre indicando outra. A informação mais constante era de que teria que pagar quase 500 reais por desistir do serviço antes de acabar o período contratado. Acabou indo a uma loja, indicada pela operadora para receber o aparelho. Esperou na fila por mais de uma hora. Não pôde devolver o aparelho lá, mas deveria ir à loja do Rio Sul. Foi. Encontrou, então, um atendente que raciocinava como ser humano de pleno domínio de suas faculdades mentais. Ele cancelou o plano e disse que, no entanto, não poderia receber o aparelho. A operadora foi notificada e o aparelho repousa, intocado, no armário da casa de C.
Período do tormento: em torno de dois meses desde a contratação do plano que jamais foi executado.

5.6.09

Confirmei recentemente que joguei pedra na cruz.
Hoje, após 40 dias de telefonemas infindáveis para a Net, parece que resolverão meu kafkiano processo.
Ontem, depois de ter meu sinal de TV cortado a cada dois dias desde 24 de abril, por erro do sistema da Net, consegui uma atendente que teve a paciência de me ditar infindáveis algarismos com os registros de 66 - isso mesmo, 66 - telefonemas que dei à empresa no período para tratar do mesmo assunto: a religação de meu sinal, cortado indevidamente.
Depois de apelar para a Anatel e para a Ouvidoria da Net sem sucesso, fiz o que qualquer brasileiro de classe média ou acima dela aprende em pequenininho: dei uma carteirada. Liguei para a Assessoria de Imprensa, informei que sou jornalista e... hoje ouvi juras de fim amplo, total e irrestrito do incômodo ao qual fui submetida. No entanto, nada poderia ser feito em relação ao ressarcimento das horas sem sinal - o mínimo que a empresa deveria me oferecer, não?
Restou-me então agir de uma forma que nós, brasileiros, não estamos acostumados. Mencionei que a indignidade a que fora submetida me parecia ter base para numa ação de perdas e danos. Assim, consegui o ressarcimento.
Moral da história: no Brasil, para fazer valer seus direitos, o jeito é procurar instâncias cada vez mais superiores.