Uma garotinha a caminho do colégio se assusta ao ver um homem com a braguilha da calça aberta, balançando o pênis e rindo para ela.
Duas mulheres se juntam a um grupo de desconhecidos, uma família com crianças, fugindo de um desconhecido que as persegue por salas de exposição vazias, num dia de semana, no Museu Nacional. Moça alveja com a ponta do guarda-chuva o pé de seu vizinho de poltrona, no cinema: o homem, que "passava a mão" na coxa dela, sai da sala sob os gritos de "tarado" da plateia.
Jovem repórter atravessa a Avenida Rio Branco para chegar à Cinelândia, ao entardecer, e leva um beliscão na virilha por um desconhecido que vem em sua direção.
Colega acaricia barriga da grávida, dizendo ter tesão por gestantes.
Oftalmologista abraça paciente e a força a cumprimentá-lo com beijos na primeira consulta. Dermatologista acaricia mãos de paciente.
Amigo da família faz carícia "esquisita" na menina, que não conta para os pais, achando que levou a mal uma simples demonstração de afeto.
Homem persegue mulher no estacionamento de shopping, enquanto se masturba.
Em 55 anos de vida, algumas lembranças desagradáveis que compartilho com outras vítimas do desrespeito. Algo comum a tantas outras mulheres.
NADA JUSTIFICA O ASSÉDIO, O DESRESPEITO, O ESTUPRO.
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11.6.16
12.5.16
Geração Coca-Cola
A minha geração, os nascidos em 1960, estava na primeira infância em 1964. Éramos crianças quando os Beatles estouraram, muito pequenos para aproveitar Woodstock, ou entender maio de 1968. Crescemos no Brasil do "milagre", um tempo em que perseguições políticas eram mencionadas cautelosamente pelos pais, que proibiam a gente de cantar "Eu te amo, meu Brasil", mas não deixavam de torcer pela Seleção em 70. Não lutamos pelo feminismo, nem contra a ditadura. Dançamos em discotecas, comemoramos a Anistia e pedimos Diretas Já. Assistimos à liberação das peças, filmes, das artes outrora censuradas. E aí vieram eleições diretas. Não fomos caras-pintadas, já éramos adultos desesperados com o confisco das poupanças.
Virou o milênio e acreditamos que poderia haver uma mudança. Houve.
Como será o amanhã? Parecido com o que conhecemos nos anos 90. E pior.
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10.2.14
A dor da gente não sai no jornal
A morte de Santiago Andrade, o cinegrafista da Band, comove a todos os jornalistas que acompanham as perdas de tantos colegas nas frentes de batalha. Só que Santiago não foi cobrir uma guerra, mas uma manifestação de rua. Não é possível que alguém saia de casa para trabalhar e seja morto por um rojão - essas porcarias já deveriam ter venda proibida há muito tempo.
E por mais que eu apoie qualquer manifestação, quem leva um troço desses pra rua quer machucar alguém. Então, seja de que lado estiver, que esse manifestante responda por homicídio. Doloso, não culposo.
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4.2.14
O pelourinho é aqui
Uma cidade à beira-mar, de temperatura quente a tórrida, atraente para turistas e para os que buscam sobreviver na megalópole, sempre terá desigualdade social. O que não se concebe é que permaneçam ranços do ódio escravocrata, do racismo, da xenofobia, do isolamento, da vergonha que é o desrespeito a qualquer ser humano, cumprida à risca pelas autoridades policiais de qualquer etnia.
Prender um rapaz nu a um poste? Com uma trava de bicicleta? Não existe outra maneira de impedir a fuga de um ladrão?
Que vergonha de tudo!
Prender um rapaz nu a um poste? Com uma trava de bicicleta? Não existe outra maneira de impedir a fuga de um ladrão?
Que vergonha de tudo!
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20.3.13
Não vale o escrito
Um vestibulando escreve receita de miojo na prova do Enem e ganha nota classificatória pelo deboche - que o rapaz, já na Faculdade de Engenharia, informou ter sido apenas uma maneira de provar a ineficiência dos que corrigem as provas. Outro concorrente, que cursa Medicina, usou o hino do Palmeiras para encher linhas e linhas de uma redação fraquinha também. Outros candidatos fazem erros de grafia crassos e têm nota máxima.
Antes de me exasperar com a falência da Educação brasileira, deixo claro que os dois brincalhões são universitários que se comportam como boa parte da classe média brasileira. Agiram igual a menininhos, quando deveriam enfrentar as consequências de suas atitudes imaturas. Eles afirmam que pretendiam mostrar o descaso dos corretores das provas, embora, aparentemente, apenas preencheram o número de linhas necessário para que as redações passassem por examinadores. Por que algum estudante seria tão abnegado a ponto de perder um dia de folga para fazer uma prova? Por amor à Educação?
Deveria haver alguma exigência, alguma dignidade ao tratarmos de língua, de ensino, de conhecimento. Mas não há. Existe a superficialidade, a informalidade, o jeitinho que domina e mediocriza nossas vidas.Se a língua é dinâmica, esses rapazes não a transformam, mas apenas a ignoram. Pior que estudantes errarem pavorosamente na escrita é termos professores tementes a alunos, de tal maneira que fazem qualquer coisa para evitar a reprovação dos meninos. Não se ensina, nem se exige conhecimento. Tremo em imaginar que o pessoal das exatas também faça vista grossa para erros de cálculo que podem botar em risco as vidas de quem entrar em prédios mal projetados, por exemplo.
Antes de me exasperar com a falência da Educação brasileira, deixo claro que os dois brincalhões são universitários que se comportam como boa parte da classe média brasileira. Agiram igual a menininhos, quando deveriam enfrentar as consequências de suas atitudes imaturas. Eles afirmam que pretendiam mostrar o descaso dos corretores das provas, embora, aparentemente, apenas preencheram o número de linhas necessário para que as redações passassem por examinadores. Por que algum estudante seria tão abnegado a ponto de perder um dia de folga para fazer uma prova? Por amor à Educação?
Deveria haver alguma exigência, alguma dignidade ao tratarmos de língua, de ensino, de conhecimento. Mas não há. Existe a superficialidade, a informalidade, o jeitinho que domina e mediocriza nossas vidas.Se a língua é dinâmica, esses rapazes não a transformam, mas apenas a ignoram. Pior que estudantes errarem pavorosamente na escrita é termos professores tementes a alunos, de tal maneira que fazem qualquer coisa para evitar a reprovação dos meninos. Não se ensina, nem se exige conhecimento. Tremo em imaginar que o pessoal das exatas também faça vista grossa para erros de cálculo que podem botar em risco as vidas de quem entrar em prédios mal projetados, por exemplo.
Brigada anti-PT/PCB/socialistas/comunistas/anarquistas/esquerdistas & Cia, nem se anime! Isso não é culpa do governo atual, não. É culpa de um desprezo absoluto com a educação e com a cultura no Brasil, que vem de administrações anteriores - e que a atual tem mantido, diga-se a verdade. Expressar-se bem é pedantismo. Qualquer tipo de requinte é anacronismo. Isso vale para qualquer campo da vida brasileira, pautada pela informalidade que, num raciocínio ilógico, estaria ligada diretamente à jovialidade, ao culto de um período efêmero da existência.
A desvalorização do professor brasileiro tornou-se uma tradição. Remunerações baixas afastam muitos da vocação de ensinar. A falta de respeito transformou salas de aulas em arenas onde alunos se apresentam mais pelo costume do que por necessidade de aprender. Vontade de aprender? Alguns têm, mas são poucos. Estudar é chato, é maçante. Criamos gerações para as quais o esforço não tem sentido algum. Isso vem de casa? Vem, sim, mas se alimenta da passividade das muitas escolas que tratam os alunos como clientes.
Os vestibulandos que se redimem das molecagens nas provas, afirmando querer chamar a atenção dos corretores, têm argumentação tão pueril quanto a péssima pontuação e acentuação. Eles atestam o vexaminoso estado da educação brasileira. O modelo do Enem é ruim, o modelo de colégio é ultrapassado, o desejo de buscar conhecimento é inexistente? A superficialidade continuará a imperar desde que a sociedade permaneça tendo no consumo e na ostentação seus valores máximos.
(Reproduzidas à exaustão em tudo quanto é jornal, as redações dos jovens comediantes apontam outra necessidade imperiosa nos colégios do País: aulas de caligrafia pra moçada! Caramba, é cada letra de meter medo...)
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3.10.12
Bom senso e censura são dois conceitos completamente diferentes. Bom senso é não expor crianças a violência, estupidez, grosseria. Censura é impedir que crianças saibam que existe violência, estupidez e grosseria - o que em nada contribuirá para o desenvolvimento delas no mundo real. Bom senso é dizer que caçar animais por esporte é crueldade, mas que sua prática sempre foi disseminada como um ritual para assegurar a virilidade dos homens que trucidam elefantes, onças, raposas, touros e outros bichos. Censura é proibir que qualquer forma de arte reproduza a tal prática.
Meu preâmbulo é a explicação do texto que publiquei duas semanas atrás na minha coluna Para Ler na Rede, que sai no Portal de Anna Ramalho e nos sites Cinema.com.br e Investimentos e Notícias. A coluna está nos links, mas também abro aqui, porque a polêmica é ridícula, forjada por grupos que buscam a notoriedade, ainda que momentânea, acusando o Monteiro Lobato de racismo. Eu diria que ele foi um homem de sua época.
E segue a coluna (A charge do Ziraldo, acima, é a do bloco Que Merda é Essa?, que dedicou o desfile de 2011 à discussão sobre Lobato, o preconceituoso):
Lobato, o racista, e os cocorocas de Stanislaw
Monteiro Lobato não me inoculou o vício da leitura, mas foi um marco no meu aniversário de sete anos, quando ganhei a coleção que li e reli anos seguidos, descobrindo a mitologia grega, a História, Dom Quixote e Peter Pan. Passou o tempo e Lobato, o escritor que usava a boneca de pano Emília para clamar contra a guerra, o racismo e a falta de nacionalismo, que criou o Jeca Tatu, o caipira largado à própria sorte por um governo que ignorava o homem do campo, virou um perigoso subversivo que difundirá o racismo entre o público infantil, além de contribuir para a difusão de crimes ambientais, entre eles a caça à onça-pintada.
Ver em Caçadas de Pedrinho um incentivo a safaris é o mesmo que considerar Moby Dick (Landmark, R$ 49), de Herman Melville, um manual de caça à baleia. O mesmo poderia ser dito sobre O Velho e o Mar (Bertrand Brasil, R$ 31), de Ernest Hemingway. Além de delinquente ambiental, Lobato estimularia o racismo em diversas de suas obras, entre elas o primoroso conto Negrinha. A protagonista é uma menina órfã, que vive na casa de Inácia, uma viúva sem filhos que se compraz em torturar a criança diariamente. Negrinha só conhece a alegria quando as sobrinhas de Inácia a convidam para brincar. O conto, curtinho, pode ser lido aqui http://www.bancodeescola.com/negrinha.htm. Lobato, o racista, assim descreve Inácia:
“Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu. (...) Uma virtuosa senhora em suma — “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo. (...) Era mestra na arte de judiar de crianças. Vinha da escravidão, fora senhora de escravos — e daquelas ferozes (...). Nunca se afizera ao regime novo — essa indecência de negro igual a branco (...)”.
Se este trecho não demonstra o repúdio do escritor à Inácia, se não configura uma crítica violenta ao racismo, realmente, não sei mais ler. Também já se atribuiu o pejo de racista a Manuel Bandeira pelo belo poema Irene no Céu, em que “Irene Preta/Irene boa/Irene sempre de bom humor” chega ao paraíso, pedindo “licença, meu branco” a São Pedro. Este responde que ali ela não precisa pedir licença. Bandeira estaria disseminando a submissão dos negros perante os brancos. Quem levanta tais questões só merece ser classificado de “cocoroca”, como Stanislaw Ponte Preta definia os implicantes sem imaginação ou espírito crítico. Algo comum aos não leitores. Não há o menor risco de Monteiro Lobato ou Manuel Bandeira estimularem ideias racistas. A imensa maioria dos brasileiros da atualidade não os leu nem jamais os lerá.
É pena que Lobato e Bandeira sejam desconhecidos para muitos. Uma pena, também, que poucos saibam quem foi Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do jornalista Sérgio Porto, autor do divertido Febeapá – O Festival de Besteira que assola o País (Agir, R$ 63,90). Lançado em 1966, o primeiro volume foi um sucesso e teve duas edições nos anos seguintes, sempre com coletâneas das bobagens proferidas por brasileiros. Talvez hoje a ironia de Sérgio Porto não se adequasse aos tempos politicamente corretos. No entanto, muito do que ele registrou é semelhante ao que continua se falando Brasil afora. Podem conferir!
"O mal do Brasil é ter sido descoberto por estrangeiros" (Deputado Índio do Brasil, Assembleia do Rio).
O Diário Oficial publica "Disposições de Seguros Privados" e mete lá: "O Superintendente de Seguros Privados, no uso de suas atribuições, resolve (...), "Cláusula 2 — Outros riscos cobertos — O suicídio e tentativa de suicídio — voluntário ou involuntário".
A Polícia de Mato Grosso não é nem mais nem menos brilhante do que as outras polícias. Tanto assim que um delegado de lá, terminou seu relatório sobre um crime político, com estas palavras: "A vítima foi encontrada às margens do rio Sucuriu, retalhada em 4 pedaços, com os membros separados do tronco, dentro de um saco de aniagem, amarrado e atado a uma pesada pedra. Ao que tudo indica, parece afastada a hipótese de suicídio".Em Campos (RJ) ocorria um fato espantoso: a Associação Comercial da cidade organizou um júri simbólico de Adolph Hitler, sob o patrocínio do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito. Ao final do julgamento Hitler foi absolvido.
Meu preâmbulo é a explicação do texto que publiquei duas semanas atrás na minha coluna Para Ler na Rede, que sai no Portal de Anna Ramalho e nos sites Cinema.com.br e Investimentos e Notícias. A coluna está nos links, mas também abro aqui, porque a polêmica é ridícula, forjada por grupos que buscam a notoriedade, ainda que momentânea, acusando o Monteiro Lobato de racismo. Eu diria que ele foi um homem de sua época.
E segue a coluna (A charge do Ziraldo, acima, é a do bloco Que Merda é Essa?, que dedicou o desfile de 2011 à discussão sobre Lobato, o preconceituoso):
Lobato, o racista, e os cocorocas de Stanislaw
Monteiro Lobato não me inoculou o vício da leitura, mas foi um marco no meu aniversário de sete anos, quando ganhei a coleção que li e reli anos seguidos, descobrindo a mitologia grega, a História, Dom Quixote e Peter Pan. Passou o tempo e Lobato, o escritor que usava a boneca de pano Emília para clamar contra a guerra, o racismo e a falta de nacionalismo, que criou o Jeca Tatu, o caipira largado à própria sorte por um governo que ignorava o homem do campo, virou um perigoso subversivo que difundirá o racismo entre o público infantil, além de contribuir para a difusão de crimes ambientais, entre eles a caça à onça-pintada.
Ver em Caçadas de Pedrinho um incentivo a safaris é o mesmo que considerar Moby Dick (Landmark, R$ 49), de Herman Melville, um manual de caça à baleia. O mesmo poderia ser dito sobre O Velho e o Mar (Bertrand Brasil, R$ 31), de Ernest Hemingway. Além de delinquente ambiental, Lobato estimularia o racismo em diversas de suas obras, entre elas o primoroso conto Negrinha. A protagonista é uma menina órfã, que vive na casa de Inácia, uma viúva sem filhos que se compraz em torturar a criança diariamente. Negrinha só conhece a alegria quando as sobrinhas de Inácia a convidam para brincar. O conto, curtinho, pode ser lido aqui http://www.bancodeescola.com/negrinha.htm. Lobato, o racista, assim descreve Inácia:
“Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu. (...) Uma virtuosa senhora em suma — “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo. (...) Era mestra na arte de judiar de crianças. Vinha da escravidão, fora senhora de escravos — e daquelas ferozes (...). Nunca se afizera ao regime novo — essa indecência de negro igual a branco (...)”.
Se este trecho não demonstra o repúdio do escritor à Inácia, se não configura uma crítica violenta ao racismo, realmente, não sei mais ler. Também já se atribuiu o pejo de racista a Manuel Bandeira pelo belo poema Irene no Céu, em que “Irene Preta/Irene boa/Irene sempre de bom humor” chega ao paraíso, pedindo “licença, meu branco” a São Pedro. Este responde que ali ela não precisa pedir licença. Bandeira estaria disseminando a submissão dos negros perante os brancos. Quem levanta tais questões só merece ser classificado de “cocoroca”, como Stanislaw Ponte Preta definia os implicantes sem imaginação ou espírito crítico. Algo comum aos não leitores. Não há o menor risco de Monteiro Lobato ou Manuel Bandeira estimularem ideias racistas. A imensa maioria dos brasileiros da atualidade não os leu nem jamais os lerá.
É pena que Lobato e Bandeira sejam desconhecidos para muitos. Uma pena, também, que poucos saibam quem foi Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do jornalista Sérgio Porto, autor do divertido Febeapá – O Festival de Besteira que assola o País (Agir, R$ 63,90). Lançado em 1966, o primeiro volume foi um sucesso e teve duas edições nos anos seguintes, sempre com coletâneas das bobagens proferidas por brasileiros. Talvez hoje a ironia de Sérgio Porto não se adequasse aos tempos politicamente corretos. No entanto, muito do que ele registrou é semelhante ao que continua se falando Brasil afora. Podem conferir!
"O mal do Brasil é ter sido descoberto por estrangeiros" (Deputado Índio do Brasil, Assembleia do Rio).
O Diário Oficial publica "Disposições de Seguros Privados" e mete lá: "O Superintendente de Seguros Privados, no uso de suas atribuições, resolve (...), "Cláusula 2 — Outros riscos cobertos — O suicídio e tentativa de suicídio — voluntário ou involuntário".
A Polícia de Mato Grosso não é nem mais nem menos brilhante do que as outras polícias. Tanto assim que um delegado de lá, terminou seu relatório sobre um crime político, com estas palavras: "A vítima foi encontrada às margens do rio Sucuriu, retalhada em 4 pedaços, com os membros separados do tronco, dentro de um saco de aniagem, amarrado e atado a uma pesada pedra. Ao que tudo indica, parece afastada a hipótese de suicídio".Em Campos (RJ) ocorria um fato espantoso: a Associação Comercial da cidade organizou um júri simbólico de Adolph Hitler, sob o patrocínio do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito. Ao final do julgamento Hitler foi absolvido.
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20.11.11
Dor
É em momentos duros que este blog retoma seu tema, o da grande arena em que convivemos, nós, os moradores da metrópole.
Fico triste com mortes como a do filho de Carlinhos de Jesus porque essas são as que nos chegam, os assassinatos de gente "conhecida", que nos chocam e se tornam quase tão comuns quanto ter alguém próximo doente de câncer ou dengue. E, claro, sinto a dor da perda de um filho, algo que ninguém deseja ao outro, e que, tragicamente, se torna banal com a violência urbana de hoje se ombreando ao que se praticava na Idade Média.
Fico triste com mortes como a do filho de Carlinhos de Jesus porque essas são as que nos chegam, os assassinatos de gente "conhecida", que nos chocam e se tornam quase tão comuns quanto ter alguém próximo doente de câncer ou dengue. E, claro, sinto a dor da perda de um filho, algo que ninguém deseja ao outro, e que, tragicamente, se torna banal com a violência urbana de hoje se ombreando ao que se praticava na Idade Média.
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26.11.10
Guerra urbana

As imagens que mais me impressionaram na batalha da Vila Cruzeiro, ontem, foram as que mostravam o contingente de traficantes subindo o morro, em fuga do confronto com a Polícia. Ao longo do dia, acompanhei a cobertura pela TV Globo (nem adianta: todo mundo gostou das imagens ao vivo, sim. São espetaculares, primorosas. E a culpa não é da imprensa pela situação mostrada, que é grave mesmo). E durante a tarde, troquei comentários no Facebook, que posto aqui porque eles exprimem o que fui percebendo, diante de réplicas às vezes raivosas, às vezes preconceituosas, às vezes apenas pueris.
Destilar o ódio ao pobre, preto e favelado não resolve a situação. O preto, pobre e favelado não é bandido. É pobre, por isso, favelado. Pregar o extermínio oficial dos bandidos também não elimina o problema da falta de padrões que levam as pessoas a tal meio de vida - curta, aliás.
Acredito, realmente, que boa parte da população está tão cansada com esta situação que se estende por tanto tempo que desabafa com raiva, criando uma bolha de exceção para os que ama. O mundo é habitado por nós e por "aquela gente".
Não digo que não tenho medo de bandidos. Tenho, e muito, claro. Mas não me dou o direito de decretar a morte deles em prisões superlotadas ou simplesmente exterminados. Igualar-se ao bandido é ser criminoso também.
Em tempo, acho que a Polícia está agindo de forma correta. Seguem, então, as observações diversas.
- Ideia genial que acabo de ouvir: pegar as toneladas de maconha apreendidas ontem ou hoje, fazer uma fogueirinha na frente do Alemão pra ver se acalma a galera toda, só com a fumaceira da erva.
- As vozes do obscurantismo já se fazem ouvir, bradando pelo extermínio da bandidagem, regozijando-se com a ação policial e torcendo para que se torne um banho de sangue. Acho tão perigoso quando nos vemos como imunes a tais justiçamentos, enquanto "os outros", ou seja, os pretos, pobres e, por isso, culpados pela própria natureza, ficam à mercê de julgamentos fora de tribunais.
- Antes que comecem os brados de "Bandido bom é bandido morto", vale lembrar que o Estado brasileiro acredita e luta por isso há muito tempo! As condições carcerárias no Brasil são tão criminosas quanto os que estão nas cadeias. Em espaços mínimos ficam amontoadas centenas de pessoas, o que nos leva a imaginar um nítido objetivo oficial de levá-las ao confronto e morte. A gente mantém um Estado para desenvolver políticas de prevenção ao crime e de punição aos delitos, não de extermínio. Sei que esses caras são perigosos, sei que nada justifica a crueldade. mas ao Estado não cabe o papel de ser bandido com o bandido.
- Já tive amigo assassinado por traficante. Já tive amigo assassinado por assaltante. Já fui assaltada. Já tive filho assaltado. Mas isso não me fez desejar a morte de todos esses bandidos. É uma questão de formação pessoal, de filosofia de vida. O discurso não está pronto, não. Eu o escrevo diariamente quando crio filhos que convivem normalmente com pessoas de etnias, categorias sociais e opções sexuais diversas. Ou quando peço, apenas, que a gente reflita sobre o que nos diferencia ou nos dá o direito de clamar pela morte desses bandidos.
- Acabo de me deparar com comentários pavorosos sobre a situação da cidade e a arrogância carioca. Triste pensar que a cidade atravessa um momento desses e há quem destile seu ódio pelo Rio, chamando seu povo de ignorante, besta e, principalmente, culpado pelo que está acontecendo. Alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo
- Eu havia postado um comentário, dizendo que nosso Estado é realmente adepto do extermínio, vide nossas condições carcerárias. E isso foi motivo pra ser chamada de ingênua, copiadora de discurso pronto, ou instada a levar para casa cinco bandidos.
Só para esclarecer: não sou contra esta ação policial, que me pareceu, até agora, bastante cuidadosa. Entendo perfeitamente que a população esteja farta de lutar contra a violência urbana. Mas não que a desgraça acontecendo no Rio dê munição para os adeptos da pena de morte, que, exceto em tomada de poder por revoluções mundo afora, acabam atingindo os pobres de sempre.
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22.3.10
Sobrevida à carioca

Quase tungada dos royalties do petróleo e pré-sal, a cidade fez manifestação que contou com a ressureição de Rosinha Garotinho, repagina e botocada.
Devia ter manifestação contra o Metrô, que por décadas foi um dos poucos serviços elogiados no Rio. Agora tornou-se vergonhoso, constrangedor, perigoso.
Policiais lotados nos morros "pacificados" são presos por banditismo.
O Rio é uma terra desmoralizada, enxovalhada. Se personificado, teria mais flechadas que a imagem de seu padroeiro. Seria alguém sujo, ferido, estuprado, belo, mantendo altivez e resquícios de uma beleza que teima em afrontar os exploradores. Um personagem daqueles romances arrasadores de Thomas Hardy, em que tudo dá errado, mas não se alquebra a vontade de seguir em frente.
Buscamos motivos para festejos, enquanto nos arrastamos andrajosos, trôpegos, ultrapassando percalços e a lógica.
Este é um ano eleitoral. Mais um que só fará soterrar novamente as esperanças de eleitores ingênuos sobre a reconstrução da muy honrada e leal cidade de São Sebastião.
20.10.09
O horror, o horror
A morte se torna besta e vulgar quando não nos atinge. E toma proporções de tragédia se pega alguém educado e branco. Se de outra etnia, e artista, aí, sim, nos toca.
Então, esta semana, além da recente batalha do Morro dos Macacos, que teve até helicóptero da Polícia abatido por traficantes, o coordenador do Afroreggae foi assassinado em um assalto, e um acrobata da Intrépida Trupe morreu sob golpes de marreta, em casa, em Santa Teresa.
Leio aqueles comentários de leitores do Globo On Line.Alguns deveriam ser realmente considerados ofensivos à humanidade. Porém lá permanecem. Enquanto há pessoas com mentalidade humanitária, que acredita na punição aos criminosos sem pena capital, qualquer um desses episódios é ensejo para loas ao extermínio total dos "favelados".
Há muito me ofende este conceito pejorativo, assim como piadas racistas, sexistas ou sobre deficientes de maneira geral. Além do extermínio, prega-se a esterilização dos pobres. Sim, porque pobre e favelado são sinônimos de bandidos em potencial.
Nosso problema vai um pouco além da tensão social. É, basicamente, a falta de educação e de valores. Encontramos, em pleno século 21, mentalidades mais reacionárias, que nutrem profundo desprezo pelo que é diferente, do que 100 anos atrás.
Nem esses representantes da estupidez humanas, com suas mentes deturpadas, merecem a morte nas mãos de bandidos que não nutrem qualquer respeito por suas vítimas. Mas parece que tanto esses bandidos como os que clamam por extirpar dos pretos e pobres o direito à vida encaram o mundo como aqueles nazistas sanguinários de cinema. Não os de comédia, como Bastardos Inglórios, mas os que surgem nas recordações de sobreviventes de campos de concentração, gente sem a menor piedade, que matava prisioneiros como se abatesse uma nuvem de mosquitos.
Em que estamos nos transformando?
Que brutalidade é essa que nos cerca e nos deixa indiferentes?
Enquanto isso, exibimos nossos sorrisos esplendorosos nos Facebooks, Orkuts e aonde mais pudermos estampar a felicidade oca de vidas vazias.
Nem esses representantes da estupidez humanas, com suas mentes deturpadas, merecem a morte nas mãos de bandidos que não nutrem qualquer respeito por suas vítimas. Mas parece que tanto esses bandidos como os que clamam por extirpar dos pretos e pobres o direito à vida encaram o mundo como aqueles nazistas sanguinários de cinema. Não os de comédia, como Bastardos Inglórios, mas os que surgem nas recordações de sobreviventes de campos de concentração, gente sem a menor piedade, que matava prisioneiros como se abatesse uma nuvem de mosquitos.
Em que estamos nos transformando?
Que brutalidade é essa que nos cerca e nos deixa indiferentes?
Enquanto isso, exibimos nossos sorrisos esplendorosos nos Facebooks, Orkuts e aonde mais pudermos estampar a felicidade oca de vidas vazias.
10.9.09
Melhor não comentar

Ando muuuuito enrolada com trabalhos, mas não dá para deixar de fazer uma pausa e refletir sobre a foto acima.
A manifestação era de professores de escolas públicas, que protestavam contra uma ridícula tabela de escalonamentos salariais.
A PM ganha pouco. E os filhos dos PMs, certamente, estudam em escolas públicas.
É só para pensar.
Nem dá pra comentar.
Merece reflexão também a frase publicada no Globo On Line, que talvez nos leve a compreender o desprezo de um servidor do Estado aos professores.
Seguindo o raciocínio de quem produziu a pérola, teria acontecido um caso de total e absoluta negação quanto a atos concretos ou a objetos palpáveis. Praticamente um dilema existencial, inexplicável por nossa vã filosofia:
Na chegada ao Palácio, os manifestantes ofereceram flores aos policiais, mas eles as negaram.
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