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13.8.17
27.2.13
Uma noite em 67
Eu tinha apenas sete anos. Meus pais já haviam ido a um festival no Maracanãzinho, onde todo mundo vaiava Nana Caymmi, coitada. Aliás, público de festival tinha que vaiar o tempo todo.
Só assisti hoje a "Uma noite em 1967", filme que já passou há tempos nos cinemas. Está inteirinho no YouTube.
Observação antropológica: fumar era tão natural que repórter entrevistava músico de cigarro em punho. Músico também fumava durante a entrevista.
Observação profissional: o falar dos repórteres e dos apresentadores era mais empolado, porém bastante natural. E muito claro, já que boa parte deles vinha do rádio. A fala das ruas não imperava na TV.
Observações sobre o tempo que passa: Caetano, chamado pelos entrevistadores de então de "Veloso", ficou mais bonito velho; Cidinha Campos era barulhenta e puxava Roberto Carlos para contar piada sem graça; Roberto Carlos era, como hoje, gentil. Chico era, como hoje, um sucesso entre o mulherio da plateia.
Observação de espectadora e de testemunha ocular da História: todos os artistas pareciam felizes por participarem do festival (exceção, talvez, para Sérgio Ricardo, o autor da violada na plateia). Eram competidores, mas, também, se admiravam mutuamente. Os elogios públicos de Gil a Caetano e vice-versa já haviam começado. Elis, sorrindo, vibrando com o sucesso de Marília Medalha, os Mutantes jovens e lindos, Gil e Caetano falando ainda com sotaque bem mais forte que hoje (e falando muito, como hoje, claro, principalmente Gil). Mais que a alegria de todos estarem lá o que se sobressai é a espontaneidade ao cantar músicas com arranjos bastante sofisticados, letras contundentes e melodias acima da banalidade. Entusiasmados, vibrantes, com interpretações pouco planejadas. Talvez seja isso que falte hoje no show business. Menos logística, mais calor. Sem amadorismo, mas com uma energia que não precisa ser montada.
Para conferir o filme, basta procurar no You Tube pelo título - o link não está funcionando bem.(http://www.youtube.com/watch?v=ReXfblEQUnI).
24.1.13
Envelheço na cidade
Ouço a cantora Andreia Dias, de voz suave, fazendo MPB de boa qualidade, ou seja, não comercial, não explosiva, mas respeitável dentro do chamado circuito alternativo musical da atualidade. Originalidade não há, não. Há cuidado na escolha dos instrumentistas e no tom blasé característico dessa geração de intérpretes pós Marisa Monte, de boa técnica vocal e nenhuma emoção. Isso fica para as antigas cantoras de vozeirão, herdeiras de Alcione, como a tecnobrega Gaby Amarantos.
Um dos principais sintomas do envelhecimento, acho, é a falta de curiosidade em relação à nova produção artística em geral. No meu caso, está praticamente restrito à música. Ainda busco novidades em cinema, teatro e literatura. Artes plásticas, bem, esta virou uma intrincada colagem de conceitualismos misturados à física, com algumas experiências bastante interessantes. Poucos são os artistas que insistem em trabalhos que privilegiam a estética, sem um discurso elaborado por trás. No teatro, também há o que dê certo em tanta experimentação, embora o tédio seja quase sempre a tônica dos espetáculos. Cinema tem seguido o ritmo ditado pelos videoclipes. Nenhum take pode se estender por mais que seis segundos. Mas ainda há bons narradores que desafiam a estética tradicional, entre eles o Tarantino. E muito cinema chato também. Literatura, ah, tem a chatérrima, pretensiosa pacas e o entretenimento puro e simples, sem qualquer preocupação com densidade de personagens (e muito retorno comercial), além do experimentalismo aloprado e da incorporação de produtos da indústria cultural, como as histórias em quadrinho, ao panteão das obras artísticas (mas, fora criações novas, como O Gosto do Cloro e O Paraíso de Zahra, tenho visto pouca coisa que demonstre força literária).
A cultura jovem - cada vez mais produzida por gente madura, acima dos 30 anos, mas com postura e visual desalinhado de quem não chegou aos 20 - perdeu um pouco da alegria que caracterizava a juventude. Fora as bobices adolescentes, gente moça que produz cultura tem que armar um olhar aristocrático até quando canta marchinha. Brejeirice é estudada. Falta um pouco de espontaneidade, com honrosas exceções. O artificialismo talvez seja componente importante num mundo em que tudo é observado. Há que se proteger a imagem. Excessos ficam para os artistas populares ou para quem se exibe no Big Brother. Ah, claro, também é reservada aos roqueiros que insistem em manter o comportamento desvairado de Rolling Stones setentões.
É típico do velho criticar o jovem. Antes se reclamava do jovem que desconstruía a estética. Hoje, além do desmazelo no vestir, qual é a desconstrução? Existe mais uma redescoberta da pólvora, como se fosse original, sem a impetuosidade dos Novos Baianos gravando Assis Valente.
O chato de envelhecer é que parece que só surgem novidades no campo tecnológico. Os jovens, bem, esses continuam lindos e, felizmente, com a capacidade de se deslumbrarem com o que surge. Ainda bem.
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16.8.08
Ele foi pra Maracangalha!


Delícia deve estar o Paraíso ultimamente, com o sorriso gostoso de Caymmi.
Quase há vinte anos, tive meu "encontro" com Caymmi. Estava na praia do Centro, em Rio das Ostras, num fim de tarde, Artur pequenininho, sentados na beirinha do mar, brincando. Era dia de semana, só estávamos nós dois e as gaivotas, naqueles quinze minutos antes do início do cair do sol.
Devo ter percebido o Caymmi com o canto do olho, porque entre as músicas que eu cantarolava com meu menino estava "O mar". De repente, olhei para o lado e lá estava ele, observando as marolas, igual a nós. Fiquei encabulada e segredei para Artur que aquele moço de calça, camisa, sapatos e uma bolsa a tiracolo trançada no corpo havia composto a música. Certamente Artur não se lembra disso. Nem Caymmi, que tinha casa vizinha à dos meus ex-sogros, no Bosque.
14.4.08
Só para constar
Jorge Vercillo é o Oswaldo Montenegro da atualidade.
Aquele compositor sempre detestado ou sempre adorado.
Alguém que causa impacto. Repulsa ou paixão.
Dá quase uma letra de Djavan.
Aquele compositor sempre detestado ou sempre adorado.
Alguém que causa impacto. Repulsa ou paixão.
Dá quase uma letra de Djavan.
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