4.9.06

Crocodilo Dundee


Steve Irwin não é o primeiro amante de animais a morrer por aproximar-se deles além do que o bom senso recomenda.
Teve o homem que amava ursos, que rendeu um filme tenebroso do Herzog também.
Quando fui ver baleias em Santa Catarina, os biólogos alertaram que não havia perigo, desde que ninguém falasse alto ou fizesse qualquer movimento que as assustasse. Elas não iriam nos atacar, mas uma rabanada era suficiente para quebrar braços, barco, tudo. Paranóica como sou, estava em pânico. Vi as duas baleias se aproximando do barco, falei baixinho, "Ih, que bonitinho!", tive tempo de trocar um olhar com uma delas - aquele olhão me radiografando - e dali pra frente foi só enjôo. O medo acabou rapidinho. Percebi que os bichos eram apenas curiosos. Imensos, mas curiosos. E ficavam rondando o barco, fazendo estranhos ruídos, algo como "muuu". Enquanto passsava mal, entendia que eu fizera "contato" com a vida selvagem. O olho curioso da baleia parecia um olhar de reconhecimento.
Mas daí a cair na água com elas há uma grande diferença.
O fanrarrão do Steve tomou uma tremenda ferroada no peito, enquanto mergulhava junto a arraias. Tudo filmado e documentado. Algum tempo atrás ele andou alimentando crocodilos carregando seu filhinho de meses no colo. Um ato leviano e irresponsável semelhante ao de Michael Jackson mostrando seu bebê aos fãs, num janelão de hotel. Mas Steve era simpático e um sucesso nas casas com crianças apaixonadas por animais. Pena que tenha morrido por imprudência.

3.9.06

Eu, muito enfezadinha, aos 13 dias de vida.

Presença de macho


Quem vê esta doce bichaninha sialata (vira-lata de siamesa), compenetrada a posar para foto, resplandecente em serenidade, não imagina a dura realidade
Desde o advento de Agador Spartacus Cebolinha, o macho pero não tanto após a castração, minha vida - e a da vizinhança - tornou-se um tormento.
Bella veio morar conosco aos dois meses de idade e, um ano e meio mais tarde, jamais demonstrara o menor pendor para a exuberante sexualidade felina. Enquanto as demais gatas da casa se revezavam em cios mais ou menos escandalosos, Bella ignorava que tal situação existisse. Gordinha demais, chegou a nos levar a suspeitar que fora castrada ainda recém-nascida.
Nada disso. Bella é daquelas fêmeas que necessita da presença de um macho para fazer aflorar seus hormônios. Há dez dias enloquece-nos com lamentos em decibéis semelhantes aos de Tetê Spinola (alguém se lembra dela?).
Enquanto aguardamos o fim do martírio, resta a curiosidade: será que, anulados os hormônios de Agador, Bella tomará gosto pelos brados retumbantes a cada dois meses?