12.2.09

40 mil visitantes

Quando a gente chega a um número significativo de visitas ao blog, deve fazer uma reflexão.
Enquanto muito da vida atual é dedicada ao cumprimento de regras, horários e, principalmente pagamentos, há sempre uma parcela de descaso e desrespeito a tudo o que se faz apenas para garantir a sobrevivência. Blog é isso, absolutamente desnecessário, umbiguista, reflexivo, válvula de escape do exibicionista que se esconde sob todos os tímidos.
Falar do dia-a-dia, postar imagens bonitinhas, reclamar do governo, tentar alcançar as massas de alguma maneira... O blog suscita isso tudo, mas sempre traz a frustração de se perceber o quão pouco interessante são suas próprias opiniões. Afinal, blog que dá ibope é igual a revistas de celebridade: todo mundo finge que não lê, mas acompanha avidamente, nem que seja no salão de beleza, as fofocaiadas envolvendo aquele povo pouco cerebral e muito visual. Ou igual a reality show.
Meus amigos mais próximos ignoram solenemente meu blog. Mantemos ainda o anacrônico hábito de conversar longamente, por telefone ou vis-a-vis. Vez por outra, entram no blog, mas sempre com cerimônia, como se aqui fosse uma gaveta que abre segredos constrangedores sobre nossa intimidade.
Não é. Blog é público, um espaço que até comporta tristezas e desabafos, porém nada que precise ser mantido em sigilo. Porque segredos, é claro, tenho - e muitos. Tinha até para minha analista, então...
Houve época em que eu rastreava cada visitante do blog. Hoje, espero as parcas manifestações sem ficar ansiosa.
Esta não é uma obra aberta. É um canto desarrumado, indefinível, mas indispensável, de minha necessidade de registrar a vida.
E também de postar imagens fofinhas, como a da Bella em um de seus postos favoritos: sobre os velhos LPs, atualmente conhecidos como 'discos de vinil', que mantenho expostos, porém intocados, na estante da sala.

9.2.09

Lá vem o Oscar III - Milk



Que delícia ver Sean Penn em um papel tão adorável quanto o de Harvey Milk, o político gay assassinado bestamente por um adversário amalucado, nos anos 70, em uma San Francisco ainda não tão abertamente liberal quanto hoje. Sem a ousadia e o erotismo característicos de sua obra, Gus Van Sant optou por um relato tradicionalista, tendendo até à pieguice, mas que cutuca os primeiros ativistas da causa gay em algumas peculiaridades, como misoginia que então imperava entre o grupo.

A ambientação camufla a pavorosa moda da época, em que bigodes, cabelos e costeletas se sobrepunham a qualquer lógica estética. Eles estão lá, mas aliviados, enfeiando Diego Luna e mantendo a beleza de James Franco, os dois companheiros de Milk. Josh Brolin, que faz o político enlouquecido, ganhou um penteado ridículo e uma indicação ao Oscar. Com um elenco afinadinho, destacando ainda o irreconhecível Emile Hirsh e um dos astros da série da Disney High School Music, Lucas Grabeel (será que ele perde a bocada nos filminhos bem-comportados, agora?), Milk não chega a empolgar, mas emociona, principalmente num mundo em que o fundamentalismo conquista tantos adeptos.



7.2.09

Lá vem o Oscar II - O Leitor


Kate Winslet deve ganhar o Oscar este ano. O prêmio tem lá suas peculiaridades. Entopem um ator de indicações óbvias (Glenn Close em Atração Fatal, Glenn Close em Ligações Perigosas), mas nem sempre eles ganham então. O prêmio virá, quando vem, por um filme pequeno, inexpressivo, que só vale pela interpretação do ator. Foi assim com a Jessica Lange, que deveria ter ganhado por Frances, mas acabou premiada por um filminho do qual nem me lembro o nome. Os que jamais ganham Oscar, acabam agraciados na velhice, pelo conjunto da obra, como o Peter O'Toole. Certamente isso acontecerá um dia com a Glenn Close.
Kate Winslet é linda e sensível. Já li cr[íticas entusiasmadas por seu desempenho no Leitor, que tem também o impecável Ralph Fiennes e um menino muito bom, David Kross. A história eu já conhecia do livro - que achei um pastiche de Radiguet com relatos de alemães purgando a culpa pelo nazismo. Um rapazote de 15 anos se envolve com a mulher que o ajuda na rua, quando ele está passando mal. Anos mais tarde, estudante de direito, descobre que a mulher, que havia sumido de sua vida, fora carcereira de campo de concentração nazista e culpada pela morte de diversas prisioneiras. E La Winslet se cobre de maquiagem para envelhecer uns bons 30 anos ao longo do filme, sempre com um semblante que se alterna entre estupefato e severo. Ah, tem também o olhar tristonho e o sorriso deleitado.
Mas como bem disse Ricky Gervais na entrega do Globo de Ouro, é só fazer um filme de holocausto que os prêmios surgem. E ela sai como favorita pro Oscar. Tem ainda a seu favor a maquiagem, que já rendeu prêmio pra Nicole Kidman.
O filme? Pior que o livro, pois ainda tem os arremates emotivos de Hollywood.