Enquanto muito da vida atual é dedicada ao cumprimento de regras, horários e, principalmente pagamentos, há sempre uma parcela de descaso e desrespeito a tudo o que se faz apenas para garantir a sobrevivência. Blog é isso, absolutamente desnecessário, umbiguista, reflexivo, válvula de escape do exibicionista que se esconde sob todos os tímidos.
Falar do dia-a-dia, postar imagens bonitinhas, reclamar do governo, tentar alcançar as massas de alguma maneira... O blog suscita isso tudo, mas sempre traz a frustração de se perceber o quão pouco interessante são suas próprias opiniões. Afinal, blog que dá ibope é igual a revistas de celebridade: todo mundo finge que não lê, mas acompanha avidamente, nem que seja no salão de beleza, as fofocaiadas envolvendo aquele povo pouco cerebral e muito visual. Ou igual a reality show.
Meus amigos mais próximos ignoram solenemente meu blog. Mantemos ainda o anacrônico hábito de conversar longamente, por telefone ou vis-a-vis. Vez por outra, entram no blog, mas sempre com cerimônia, como se aqui fosse uma gaveta que abre segredos constrangedores sobre nossa intimidade.
Não é. Blog é público, um espaço que até comporta tristezas e desabafos, porém nada que precise ser mantido em sigilo. Porque segredos, é claro, tenho - e muitos. Tinha até para minha analista, então...
Houve época em que eu rastreava cada visitante do blog. Hoje, espero as parcas manifestações sem ficar ansiosa.
Esta não é uma obra aberta. É um canto desarrumado, indefinível, mas indispensável, de minha necessidade de registrar a vida.
E também de postar imagens fofinhas, como a da Bella em um de seus postos favoritos: sobre os velhos LPs, atualmente conhecidos como 'discos de vinil', que mantenho expostos, porém intocados, na estante da sala.



