Não tenho absolutamente nada contra o prefeito, exceto haver votado em outro candidato. Acho que ele tem um projeto político pessoal que o impele a mostrar serviço 25 horas por dia. Cansa ler a agenda do cara e conferir que ele faz prefeitura itinerante, corre pra entrega de prêmio de futebol, vai à missa por padroeiros mil, baixa em culto e centro espírita, reclama da sujeira produzida pelos cariocas (no que está certíssimo), diz que vai proibir a venda de água de coco na praia e recolhe os brinquedos das areias para depois voltar atrás...
Admira-me descobrir que ele ainda teve tempo para aplaudir a decisão de nossa prestimosa Câmara Municipal, que aprovou sua mensagem instituindo a criação da taxa de iluminação pública. No outro milênio houve uma grita nesta cidade contra a taxa do lixo, que acabou derrubada. Até hoje a taxa de incêndio é paga por parte da população, enquanto outra a ignora solenemente, já que os juristas divergem sobre a legalidade da bitributação.
O mais irônico em aprovarem a taxa de iluminação pública - que entra em vigor mês que vem - é estarmos sofrendo uma temporada de constância no tal serviço. Relevante também seria pensar que tal taxa deveria ter cobertura do maldito IPTU.
Não demora teremos que pagar o imposto predial e mais taxas para segurança, saúde, educação. Mesmo sem utilizaarmos qualquer um desses magníficos serviços fornecidos com tanta excelência pelo estado.
10.12.09
8.12.09
Sem luz própria

Por viver na província de Botafogo, aprendi a ser estoica. Cada vez em que falta luz, imagino como seria ser parte da foto de minha rua, registrada por Marc Ferrez há mais ou menos 100 anos. Eu estaria, certamente, de sombrinha, correndo para algum lugar, atarefada.
Hoje não faltou energia propriamente. Caíram fases, me explicou o moço da Light, que indagava, interessado: "Chove muito onde a senhora mora?". Ri. "Moro no Rio, meu filho".
Aqui chove, venta, faz um calor canino, cai temporal, inunda tudo. Não é bem uma região de fenômenos da natureza comedidos. A natureza é explosiva, exuberante, escandalosa, me deu vontade de dizer ao guri.
Uma diligente equipe da companhia permaneceu aqui em meu quarteirão por mais ou menos nove horas. Enquanto isso, tomei banho à luz de velas, levei o computador para a sala - algumas tomadas funcionavem -, escrevi matéria, gravei em CD e levei para um cyber café onde difícil foi conseguir um PC que tivesse drive para CD. Enviei a matéria, dediquei-me a diversos outros afazeres e, retornando à casa, encontrei tudo devidamente energizado e iluminado.
Isso até a próxima chuva, a queda de um relâmpago, um tufão, muito calor, muita água, granizo...
Garanto que o Santos Dumont também estava fechado para pousos e decolagens.
6.12.09
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