17.12.09

Vexames dos últimos dias


- O presidente da República falando "merda". A palavra, não o conteúdo. Populismos à parte, o cargo exige, como o ambiente da gafieira, respeito.
- O policial que matou a tiros um estudante durante briga em boate voltou a ser absolvido pelo homicídio. Mesmo que estivesse a serviço, cuidando da segurança do filho de uma juíza, ele não tinha o direito de alvejar qualquer um. Policiar exige equilíbrio. Ou deveria.
- A taxa de iluminação pública.
- O prefeito falando que Robin Williams fez piada de péssimo gosto sobre o Rio ter ganhado o direito de sediar a Olimpíada por "dor de corno". O cargo, como já disse, exige o mesmo respeito que o ambiente da gafieira.
- A estátua de Drummond em Copacabana, novamente, teve os óculos arrancados.

E como já dizia Jorge Veiga, com os versos de Billy Blanco:

Moço, olhe o vexame
O ambiente exige respeito
Pelos estatutos da nossa gafieira
Dance a noite inteira, mas dance direito

15.12.09

O Avatar e a Tansa *

Ontem, atrasadíssima, voei para uma cabine do último filme de Alain Resnais. Não era no Estação, como sempre, mas no Artplex, Sala 5. Cheguei esbaforida ao lobby do cinema, perguntei ao guarda "Tem um filme na Sala 5, não?". Ele confirmou. Entrei na sala, hiperlotada. Dei aquele sorriso comovido, pensando: "Nossa, quanta gente para ver o Resnais. Que beleza, um mestre ainda mobilizando os críticos"... e aí encontrei um coleguinha muito falante que disse "Vem cá, este filme não era em 3D?". Murmurei qualquer coisa, subi as escadas e me joguei pesadamente em uma poltrona.
Era a Sala 5, sim. Mas de outro complexo de cinemas...
Assisti a Avatar, um deslumbrante show de efeitos visuais, tecnologicamente perfeito. Cinematograficamente funciona para platéias infanto-juvenis e kidults. Não é para alguém que tem no cinema uma experiência que transcende narrativas lineares.
Um filme sem a menor alma, uma experiência técnica que renderá fortunas, com uma historinha politicamente correta. Os bandidos não são os invasores norte-americanos, mas uma corporação interessada em explorar jazidas de minérios de outro planeta. O herói é paraplégico. O povo sofrido é tão integrado à natureza que só existe em cinema mesmo. Ou seja, um enredo entupido de valores morais, bem do jeito que George Lucas imaginou com Guerra nas Estrelas. E, como todos os blockbusters atuais, precisa se alongar até os limites da paciência sobre-humana. Imenso. Cansativo. Preferia o James Cameron do primeiro Exterminador do Futuro. O robô era mais verossímil do que os milicos malvados de Avatar.
Na saída do shopping, passando pelo McDonald's, vi os bonequinhos com os personagens do filme, que já são brindes de um McLanche qualquer.
*Tansa, lá em Florianópolis é sinônimo de atolada/boba/tonta. Tudo junto, misturado e bem amassado.

13.12.09

Domingo à tarde









Adoro ter amigos gerações mais jovens para não me fechar no gueto dos que envelhecem estranhando o mundo. E agora que meus filhotes estão imensos, acompanho a chegada e o crescimento de outras crianças, integrantes da família que escolhi.
Estava lendo a Lysa falando do Mateo, a Luciana escrevendo sobre os livros lidos com os pequenos dela, conversando com Cíntia me contando as últimas de Laura, sabendo de Isabel pela Paulinha - as últimas não têm blogs, mas, se tivessem, seriam relatos tão deliciosos quanto os das primeiras.
Deu uma tremenda inveja e saudades da época em que eu descobria o mundo com meus petizes.
Mas aí a gente vira pro lado e pode encontrar amigos sem ter que dar comida, banho, botar para dormir ou correr atrás da molecada, pode pegar um cineminha, ir a um bar e voltar tarde, ou apenas ler um bom livrinho numa rara tarde de folga. Nada que se compare ao prazer de olhos brilhantes com as novidades oferecidas no dia-a-dia nunca tedioso dos que têm filhos pequenos, porém, agradável, relaxante e, certamente, mais organizadinho.
O problema é pra quem gosta de uma bagunça...