8.9.11

Não há como eu me cansar de assistir à "Meia-noite em Paris".
É muito bom sair com um sorriso no rosto, igual às plateias dos filmes das décadas de 40/50 - românticos, escapistas, bem estruturados, inteligentes.
E tem Paris, claro.

2.9.11

Ufa!



Vai virar mensal este blog...



Simplesmente estou na fase off blog, off diário (tenho um, há muitos anos: sofreu uma longa interrupção, nos 8-10 anos de casamento/descasamento, com um pequeno período de registro quando comecei a fazer terapia - e quando se começa terapia há que falar, escrever, compartilhar aquelas descobertas que nos fazem acreditar realmente que somos o que há de mais interessante e importante no mundo - e um retorno a partir do momento em que assisti ao "Diário de Bridget Jones" - o que é muito estranho, pois configura o quanto sou mulherzinha e influenciável mesmo).



Meus tempos off blog/diário prejudicam incrivelmente minha combalida memória. Sempre tive memória gráfica, desde os tempos em que estudar era um dever. Jamais fui daquelas pessoas que gravavam sons - até hoje me embaralho em letras de música se não as tiver impressas, lidas. Em compensação, tenho uma excelente memória olfativa e reconheço vozes com estranhíssima facilidade. Se alguém passar décadas sem falar comigo e me telefonar, consigo identificar o interlocutor em segundos. Muito esquisita a cabeça da gente...



Há momentos na vida, no entanto, em que falta tempo para ir ao salão de beleza - sim, eu preciso ter unhas manicuradas para me sentir perfeitamente arrumada; estar sem esmalte é como andar sem brinco -, para sentar à mesa com os filhos, para ir ao cinema. Já me aconteceu, quando as crianças eram pequenas (e eu não sentava à mesa, meu colo era a poltrona natural onde bebês se acomodavam para serem alimentados), quando voltei a viver no Rio e agora, no momento em que a família inteira está entrando em novas etapas.



Depois de seis anos trabalhando como freelancer voltei a ter emprego fixo, com horário e salário no dia certo. Não que tenha abandonado os frilas. Não posso nem quero. E quanto mais trabalho, mais encontro tempo para trabalhar.



Um de meus filhos, que morava em Brasília, agora estuda em SP e vem todos os fins de semana para o Rio, o que também altera a dinâmica da casa, mais agitada do que nunca. A casa, coitada, desaba pedindo uma reforma urgente, mas... não há tempo - nem recursos - sequer para pensar em contratar empreiteiro, comprar material, ver a obra começar, brigar com o empreiteiro, ver a obra estourar o prazo, ver o dinheiro minguar, brigar com a família inteira...



Este blog já passou por tantas fases. Teve a inicial, de crônicas com temática absolutamente carioca. Teve a fase em que virou diário. Teve a fase impessoal/profissional.



Agora, sei lá qual é a fase. A da ausência, talvez. Aquela época em que a gente se distancia dos prazeres para cumprir deveres.



Mas um dia eu me equilibro.



E volto a escrever apenas pelo prazer.

3.8.11

Italo Balbo Di Fratti Coppolla Rossi


Em janeiro deste ano, eu e o fotógrafo Renato de Aguiar fomos entrevistar Italo Rossi em seu apartamento no Flamengo. Voz marcante e uma impaciência no olhar, Italo teve a gentileza de nos receber no dia em que completava 80 anos. Tínhamos apenas uma hora para a entrevista, devido a seus numerosos compromissos.


Mais ou menos 30 anos antes, eu o vi no palco, na comédia "As Tias", quando enlouquecia os colegas em cena, de tantos cacos que falava, fazendo Edney Giovenazzi, que interpretava um cadáver, sacudir-se, na inútil tentativa de prender as gargalhadas.


O tempo era uma preciosidade que Italo manejava com alguma destreza. A dedicação ao teatro era tamanha que não pôde aproveitar quatro passagens a Paris, parte dos prêmios Molière, que ganhou por diferentes peças. Ao comentar isso, uma vez, no programa do Jô Soares, seu afilhado de casamento, foi procurado pela Air France e, então, viajou para Paris.


Enquanto conversávamos, contou seus planos de montar um ou dois espetáculos este ano. De olho no relógio, informou que faria reunião com um grupo de jovens atores que lhe pediram orientação. Posou para fotos com a tranquilidade dos que sabem dialogar com qualquer público.


Estou com um problema sério com as mortes de alguns artistas. Italo, como a Amy Winehouse, deveriam ficar mais um pouquinho com a gente, não?