2.3.20

Ninguém encolhe a barriga em Copacabana

1) Primeira incursão no Mundial de Copacabana como habitante local. Preços superiores ao da filial de Botafogo. E ao menos uma caixa que me fez lembrar o treinamento de mau atendimento ao cliente do querido Campeão. A moça tinha aquele jeitinho rude, o olhar de profundo desprezo por quem está fazendo compras... Ai, me senti em casa...
2) As calçadas do Balneário são largas e tão irregulares quanto as da Província. Por elas passam incontáveis bengalas e cadeiras de rodas. E senhoras acompanhadas por mulheres mais jovens ou nem tão mais novas assim, que conduzem as velhinhas pelos cotovelos. Dar as mãos é para crianças ou namorados, os braços, para velhos casais. Segurar o cotovelo indica desvelo e reverência ao idoso.
3) Até os mendigos de Copacabana são idosos. Os jovens, geralmente, têm aspecto de dependentes de crack. De cortar o coração.
4) Quase todo mundo tem as costas arredondadas.
5) Ninguém encolhe a barriga em Copacabana.




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Esses moços

Reza a lenda que em lugares desenvolvidos, quem se encarrega da mudança é o próprio morador, que dirige o caminhão com móveis, enfia tudo em casa e ainda trata de ligar eletricidade, água, gás e aquecimento. Aqui, isso não existe, pelo menos, não na Zona Sul. Se não me engano era o Fernando Sabino que considerava “o moço” a maior instituição brasileira. Sem “o moço” não há como dar partida no funcionamento do lar - e não apenas por causa da NET, Velox ou telefonia. A verdade é que o carioca de classe média da Zona Sul até aprendeu a cuidar de criança, mas mal consegue pintar um rodapé.
E isso vem de longe. Meu pai, catarinense, filho de pedreiro, só sabia mesmo trocar lâmpada. Já meu sogro, tcheco, devia ser capaz de bater uma lage, igual aprendeu minha amiga Luciana, depois que foi morar na França. Aqui, não tem jeito, precisamos dos "moços". Estou na fase em que eles são os mais aguardados visitantes da casa. Isso porque depois de outro amigo dar um jeito no meu computador, chegou mais um para ligar fogão e máquina de lavar. Porque eu, esperta que sou, cultivo "moços" entre os amigos.

Beasts of no Nation

Estamos banalizando a violência em nome de uma paranoia coletiva de segurança, insuflada por quem apoia milicianos. Alguém se lembra de Cláudia, a mulher que foi arrastada pelas ruas por um carro da Polícia, e morreu, o corpo esfacelado? Alguém se lembra da grávida cujo bebê foi atingido no ventre? Alguém se lembra do homem que estava em casa e foi fuzilado por um policial ao vê-lo com uma furadeira na mão? Alguém pode contabilizar quantas crianças foram mortas por bala perdida na porta de casa, na escola, na rua?
Vamos continuar nos lembrando apenas dos assassinatos do médico que corria na Lagoa ou da empresária que vinha com o pagamento dos empregados, na Gávea? Esses, gente daqui deste lado do Paraíso, foram mortos por bandidos, assaltantes, marginais. Os outros foram mortos pelo Estado.

A diferença é grande: marginal está fora da lei, o Estado é a lei.
A outra diferença é que a maioria dos atingidos pelas balas perdidas ou vítimas dos enganos dos agentes do Estado são negros e vivem em áreas pobres.
Ninguém pode ser assassinado. NINGUÉM.


ente, de um governador eleito que defende o extermínio de suspeitos.
Estamos abaixo das republiquetas de bananas. Viramos um daqueles países cujos nomes confundimos, como o local incerto e não denominado no filme "Beasts of no nation".
A barbárie nossa de cada dia cresce.