9.1.17

Globo de Ouro 2017

Definitivamente, festa de Hollywood incorporou toda a cafonice das "proms" norte-americanas. O Globo de Ouro 2017 foi um desfile de roupas convencionais com um pequeno toque de exuberância em fendas abissais, decotes desnecessários e buracos nos ombros das moças. A profusão de drapeados só perdeu para os brilhos de fazer inveja a desfile de fantasias carnavalescas do Hotel Glória. As belas atrizes estavam parecendo figurantes do Baile da Ilha Porchat, foliãs de bloco, candidatas ao concurso de Rainha da Primavera, bonecas de trapos, cangaceiras, metaleiras, escolares em apresentação de fim de ano... As zebras das premiações surpreenderam até os agraciados, como Hugh Laurie e a diva Isabelle Huppert, eufórica de tanta alegria. Surpreendente, também, foi não apenas o discurso anti-Trump de Meryl Streep, mas a escolha de "Dancing Queen" como tema que a acompanhou na subida ao palco.

 Abaixo, um passadão do melhor e do pior da nata da indústria cinematográfica, que tive a alegria de observar auxiliada pelos toques da sempre presente Sol (Solange Noronha), do olhar vascaíno-macho, mas tricolor de coração, do Ivson Alves, e de quem está sempre por dentro do outro lado das estrelas, Eduardo Graça.  Com eles e tantos facefriends, foi uma delícia varar a madrugada. Graças a eles, percebi que Janelle Monae não queria passar por Cogumelo Estilizado, mas sair dali direto pro Cordão do Bola Preta, antecipando o carnaval carioca.



Protesto contra a caça a espécies ameaçadas uniu Keri Russel, de onça pintada, e Judith Light, de zebra metalizada. 


A categoria "Meu botox é melhor do que o seu" foi arrebatada por John Travolta, que só não desbancou Nicole Kidman, porque a ex-ruiva, ex-curly hair, ex-Tom Cruise é hors concours no quesito. Atualmente, ela se destaca mais pelos vestidos desastrosos e melenas cuidadosamente amarfanhadas do que pelo preenchimento labial e a expressão de eterna paisagem. Kelly Preston, Mrs Travolta, com plástica caprichadíssima e estamparia de vestidinho de madame que vai à feira de orgânicos. 



Zoe Saldana, toda trabalhada no rosado, ganhou o Troféu Babado Forte, auto-explicativo.


Como Princesa Disney, Lily Collins foi imbatível. 


Várias disputaram o título de Rainha da Primavera, mas só Jessica Chastain ousou, de vestido azul calcinha. 




Não faltaram concorrentes no quesito "Melhor Cortinado", arrebatado por Felicity Jones, com esse pesadelo em rosa, entristecendo Anna Kendricks. 




Uma inovação que pode se transformar em novo gênero da categoria cortinado é a "cortina de fuxicos", que ainda tem transparência e fitas soltas, com o provável intuito de levarem a coitada que vestiu esse troço a desabar no chão.


Troféu Mônica Belucci/J-Lo de exuberância feminina foi conquistado pela morena abaixo, que deixou no vácuo a hors concours Sofia Vergara e  Naomi Campbell, com uma fatiota apropriada para rainha de destaque de Grupo de Acesso.



O misógino que inventou que a transparência era bonita também convenceu a Tracee Ellis Ross a vestir uma combinação curtinha. O efeito a deixou com aparência de gaiolinha, daquelas de botar vela dentro, como observou o Hudson Pereira. 


Sabem aquela toalha comprida chamada de "caminho de mesa". Pois bem, em Hollywood, aquelas rendas viram vestido. Michelle Williams foi de noiva caipira de filme de faroeste. Kristen Wigg também caprichou no cabelinho boi-lambeu. 




Menção honrosa na categoria cortinado, Emma Stone foi de tenda de circo. 


Clare Foy, a imagem da desolação em rosa metálico. 

Sarah Jessica decidiu fazer um tributo estilizado à Carrie Fisher, com uma reinvenção do penteado pavoroso da Princesa Leia, soltando aquele vestidinho sóbrio que a moça usava no primeiro filme. Ficou parecendo uma noiva velha abandonada no altar. 

Jessica Biel, uma mulher de peito aberto, coxa à mostra e uma saia de tecido de sofá Gelli com aplicações florais. Um mix de horrores. 

Nathalie Portman acredita que ficará com cara de adulta se usar uma roupa da década de 1960, em homenagem à Jackie Kennedy Onassis, num amarelão simples, crivado de aplicações nas mangas e na saia. E continuou parecendo adolescente grávida.


Todo ano aparece uma moça que tenta recuperar o glamour de outrora, usando algo simples e elegante. Desta vez foi Teresa Palmer. 


E todo ano aparece alguém querendo inovar na categoria Helena Bonham-Carter de esquisitice ao trajar. Este ano, o troféu ficou com Sofie Turner neste indiscritível modelo de tule, sobre malha, com abertura na coxa, decote, recorte E brochinho no cinto, claro. De todas as bizarrices, nada foi pior. Nem a fantasia de Maria Bonita de Dona Meryl... 


... o ponto alto da noite, dividido com a surpreendente premiação de Isabelle Huppert, mostrando que azul é a cor mais quente. 

21.12.16

Barbies

Eu sei q vende jornal, dá mais audiência a site, o que for. Mas, na boa, coleguinhas, a que ponto chegamos? 
Não é só a chamada ruim ("Com seios enormes, Kyllie levanta especulações?" Melhor, talvez "Seios enormes de Kyllie provocam/geram especulações") nem o texto mal traduzido, decorrente, muito provavelmente da pressa em publicar ("A admissão de que ela encheu seus lábios com 17 anos significou como um menor, um pai teria de assinar em cima deles"), mas, poxa, é nisso que se resume o noticiário de gente famosa hoje?
Acho até que a matéria tem um monte de boas pautas embutidas - o exagero das plásticas, a objetificação das mulheres, a "barbierização" das mulheres. Eu me lembro de uma matéria no Ela, assinada, se não me engano, pela Sonia Biondo, que usava uma imagem da Mulher Maravilha e perguntava: "Como alguém pode salvar o mundo vestindo um collant tomara-que-caia?".
Era possível fazer matérias inteligentes para discutir o papel feminino e não deixar de lado a vaidade, a besteirice que qualquer pessoa adora. A culpa não é dos jornalistas, não, é de um sistema que tritura o profissional e obriga todo mundo a publicar qualquer bobagem pra encher tela/página.


http://oglobo.globo.com/ela/gente/com-seios-enormes-kylie-jenner-levanta-especulacoes-sobre-implante-de-silicone-20677907#ixzz4TTe1NnX7

17.12.16

Pensando tanto, tanto...

Este blog começou como um registro das crônicas  no finado Multiply. Era quase tudo resmungando da cidade, num tempo em que eu ainda era um bicho praieiro. Quase se tornou um registro do cotidiano, mas aos poucos a faceta confessional desapareceu. Vieram muitas ocupações, diversas cada uma de si, compartimentei alguns escritos pra lá e pra cá. O Facebook matou essa registrância toda.

Penso em fazer um site com todos os arquivos, penso no custo baixo disso, em chamar um webdesigner (custo alto disso), em esperar meu primogênito estar habilitado para desenhar tudo... A vida em exposição é tão cansativa.

E o blog foi morrendo, arquivando apenas um monte de brincadeiras sobre roupa de gente que vive da exposição.

Não sei que rumo tomará, se é que existe algum rumo ou necessidade de subsistir nesse universo virtual.
Afinal, o que gosto mesmo de fazer é de bater papo, o que exercito o tempo todo no Facebook, onde as escaramuças se avolumam a ponto de me tornar temerosa da existência internáutica.

A verdade é que é chato ter tanta trabalheira pra ser pouco lida e muito esquecida.

Chove muito em São Sebastião, a temperatura caiu e ficou agradável, mas o supermercado, o trabalho e nada além disso me espera.