15.12.05

Dia esquisitinho

Dia estranho. Tinha planejado ir ao Rio Sul trocar um livro e passar nos bancos pra fazer pagamentos, mas li que lá agora tinha assalto e só depois soube que era tudo armação de uma falsária pra ganhar seguro do shopping. E no mesmo dia teve um princípio de incêncio e me lembrei de quando trabalhava na Torre e tínhamos que descer correndo aquela montoeira de degraus, sem saber se era treinamento para evacuação ou se havia algum problema pra valer. Na época do atentado no WTC a todo instante a administração da Torre inventava de fazer treinamento. Uma vez todos descemos, eu já era craque, ouvia a buzina e pegava a bolsa automaticamente e seguia pras escadas, só que uma colega, a Fernanda, estava no banheiro. Quando ela saiu deve ter se sentido num episódio de "Além da Imaginação", não havia ninguém no escritório, silêncio absoluto e as portas trancadas. Ao percebermos que ela ficara lá em cima, o pânico instaurou-se. Pelo celular, eu a aconselhava a pegar uma máquina de escrever e jogar na vidraça da entrada para sair do escritório, uma colega teve um ataque de pânico, sentada no meio-fio, a secretária, sentindo-se responsável por haver trancado a Fernanda, galgou os 12 andares até o escritório, seguida por um bombeiro e libertou a cativa.
Eu pensava nisso tudo, dirigindo meu carrinho que estava totalmente às escuras, sem qualquer iluminação própria, exceto a luz de freio e o pisca alerta, pelo Santo Cristo e Gamboa, imaginando se deveria subir numa ladeira antes da que leva ao estacionamento do Jornal do Commércio. A primeira ladeirinha é menos íngrime, mas segui no piloto automático até a outra, observando um edifício horroroso que destoa do casario aos pedaços da Rua do Livramento e... na ladeira do jornal, fui recepcionada por um carro de polícia. Imaginei confusão com o pessoal do Morro da Providência, mas não, era algo bem menos habitual que troca de tiros entre traficantes e policiais: um caminhão que levava bobinas pro jornal tombou em plena ladeira. Tive que dar uma tremenda volta pela Gamboa, praça da Harmonia e adjacências antes de subir pela primeira ladeira e chegar a uma ruazinha linda, parecia Santa Teresa, velhinhos com cadeiras na calçada. Entoava mentalmente "Gente humilde" quando me deparei com um tremendo buraco da Cedae, sendo escanhoado por uma equipe de seis homens, que serviram de sinalizadores para minha passagem sobre a calçada. Definitivamente, um dia muito estranho.

E a obra? Continua empoeirando minha vida.

2 comentários:

Marilia Mota disse...

Oh, há dias assim, em que tudo parece quase normal, quase real, como dirigir nas calçadas ou andar um pouquinho de nada acima do chão. É o calor, Olga. Ou é esse friiiooo aqui. Sobre seu comentário (no meu blog), é verdade, pensamos mto na terrinha. Mas tb pensava demais quando estava aí. Mas desabafava o tempo todo com os amigos e pronto. Aqui o jeito foi fazer o blog - para continuar aí, continuar junto. E está sendo Muito bom pra mim! Bjs :)

Olga disse...

E bom pra quem está lendo também, Marília. Um beijo!