6.9.06

Desabafo sem desatino


Admito: para mim, a simplicidade maniqueísta de até meados do século XX é invejável.
Detesto o determinismo religioso ou político, dos que têm um discurso puro e apocalíptico, decretando o fim de oligarquias ou pecadores pelo simples abraço da causa.
Dos que pregam a temperança e vivem no fausto.
De quem acha vantajoso burlar a lei em proveito próprio, mas se angustia com a possibilidade de mudanças legislativas, executivas ou judiciárias.
Odeio o deslumbramento do privilegiado com a mediocridade cultural permitida ao pobre, com a esperteza do miserável, com o prazer da prostituta, com o barato do drogado, relegando a esses um sorriso e só um sorriso, nada além.
Cansei do julgamento rápido, do determinismo ético e étnico, das escaramuças para a manutenção de cada grupelho encastelado em conceitos de dominação pura dos excluídos.
Sim, era mais fácil viver num mundo onde os ódios declarados não tinham mocinhos nem bandidos, e a conversão a valores de tribos não era moeda corrente!
Morar no Rio é deparar-se com a dor e o desdém a cada metro de calçada. Sim, a miséria vai aumentar, as crianças e os velhos viverão à míngua, o desespero continuará sendo a mola propulsora da produtividade da classe média.
Era mais fácil um mundo em que educação era uma função doméstica, não repassada por anúncios institucionais que ensinam a importância de ser solidário.
Perdi a fé no Executivo. Sei que a resolução é do Judiciário. E algum encaminhamento é do Legislativo.
Portanto, voto nulo para cargos majoritários. No Legislativo, continuo votando na mesma dupla há anos - Fernando Gabeira e Carlos Minc, atualmente em partidos diferentes. Como continuo uma anta em blogação, o link de Minc vai aqui.

2 comentários:

adelaide amorim disse...

Assino embaixo, Olga. Também detesto esses tantos de que fala. Também voto em Gabeira. O maniqueísmo que você cita não era o ideal. Ideal nunca se atinge, por definição, mas é preciso sempre tentar, não é mesmo? Abraço.

Olga disse...

Oi, Adelaide, prazer em recebê-la por aqui!
Não, o maniqueísmo não era ideal; era só mais fácil de se definir e compreender com que se lidava,não?
Beijo, volte sempre!