6.8.07

Prazer solitário


Não há qualquer dificuldade em encher uma página ou uma tela de palavras coerentes desde que surja a frase de impacto que dará ao texto o toque para atrair os leitores.
Depois disso, é fácil. As mãos seguem pensamentos tão rápidos que mal consigo captá-los. Permaneço fascinada pela delicada elegância dos movimentos dos dedos sobre as teclas, tentando manter a atenção no lado mecânico desse exercício de criação. Parece com dirigir um carro, não há mais reflexão, tudo é automatizado. Quando uso caneta ou lápis é diferente. Só a página manuscrita parece mais interessante e misteriosa que a tela onde as letras somem e seguem seus caminhos direto para a impressão.
Quando se escreve sobre o factual, sobre os acontecimentos, não há essa necessidade de cortejar o leitor.
Se o tema pouco tem a ver com a realidade e é preciso criar uma situação de interesse, por vezes escrever torna-se tão trabalhoso quanto seduzir. Um jogo agradável, que arranca alguns suspiros e devaneios.
E daí, em algum momento, premente pela hora do fechamento, nasce mais uma história.

4 comentários:

Kristal disse...

Você disse tudo, e de uma forma única e muito elegante.
O inconveniente do teclado é que vivo destruindo o esmalte das unhas e tenho que gastar fortunas em retoques na manicure.

Olga disse...

Ah, no tempo da máquina de escrever era um inferno... Eu vivia com esmalte esfacelado. Computador é uma moleza...
beijo, Kristal

Sonia disse...

Não há qualquer dificuldade em encher uma página ou uma tela de palavras coerentes desde que surja a frase de impacto que dará ao texto o toque para atrair os leitores. Aí é que está o problema. Onde essa frase de impacto? me ensine o caminho da mina que eu vou lá correndo.

Lia Noronha disse...

Olga: esse prazer...qu emistura dor e alegria...e por muitas vezes...sufoca ou memso alivia as dores da vida!!!
Bjins