19.10.07



A classe de Deborah Kerr era tamanha que nem no papel de uma adúltera, deitando e rolando nas beira do mar de uma praia havaiana, nos braços de Burt Lancaster, ela perdia a dignidade. Era 1953, e "A Um Passo da Eternidade" deu ao mundo o beijo mais escandaloso da história do cinema. Durava parcos segundos, mas até hoje rende comentários.
Deborah Kerr mostrou ao mundo que mulheres maduras tinham libido ativa, muitos anos antes da Mrs Robinson de Anne Bancroft. O filme mais famoso foi "Tarde Demais para Esquecer", um melodrama que resvala para a mais pura gaiatice, no namoro dela e de Cary Grant, dois coroas apaixonados. Tentou salvar Gregory Peck do vício, em "O Ídolo de Cristal", biopic do romance de Scott Fitzgerald e da jornalista Sheila Graham. Despertou o amor do Rei do Sião, com quem saiu dançando, naquela sala balão. E foi freira duas vezes, levando Robert Mitchum a fraquejar por tentação. Até casta, ela exalava feromônios, com elegância.
Indicada seis vezes ao Oscar, só ganhou um, honorário.
Morreu tão discretamente quanto viveu.

8 comentários:

Jôka P. disse...

Obviamente sou fã de todas essas big movie stars (com uma queda especial por Bette Davis) e seu texto é absolutely fabulous !
O legal dessas estrelonas maravilhosas é que fizeram parte de uma época tão chique e glamuroisa do cinema, foram tão elegantes, bem vestidas, bem fotografadas, super bem iluminadas, que permanecerão eternamente como ícones da "absoluta fabulosidade".

Jôka P. disse...

Porque nós gays temos esse encantamento pelas movie stars, Olga ?
Não me venha dizer que gostaríamos de ser elas, não é por aí.
É admiração pelas mulheres, uma coisa de reverenciar, ter respeito, amar mesmo.
Sem sexo, mas amar.

Olga disse...

Eu adoro essas mulheres majestosas, Jôka, mesmo sabendo que esse tipo de glamour se acabou. A vida foi ficando mais "desconstruída", a moda passou a ser algo mais para chocar e acomodar. Essas mulheres deviam sofrer com o envelhecimento, mas não davam o braço a torcer. Ficavam mais e mais poderosas com a idade. Hoje, com a supervalorização da juventude - algo absolutamente efêmero -, a maturidade é escorraçada.
Quanto a gays admirarem essas divas, creio que é o mesmo mecanismo que leva mulheres (nas quais me incluo) a gostarem tanto de gays. São homens que não desejamos, mas que são essenciais para admirarmos o mundo.
Acho que fica tudo no campo do amor ideal, admirador e casto. Mal comparando, o tipo de relação das damas e cavaleiros medievais e vice-versa (embora naqueles casos, rolasse o desejo).
Nossa, estou muito filosófica...

Jôka P. disse...

ADOREI o vídeo que me mandou !...

Você É UMA DIVA.
Por isso vive cercada de amigos gays.

Sonia disse...

Acho quqe vi "A um passo da Eternidade" umas 4 vezes. E o Montgomery Clift, ein? Lindoooo...

Juliana Aquino disse...

Adoro essa cena!!
Beijossssssssss

Eduardo Graca disse...

Se a Debora Kerr que o Gergory Peck, não vou bancar o santinho...

Olga disse...

Pecar com Gregory rendia uma absolvi�o na certa!