16.8.08

Ele foi pra Maracangalha!



Delícia deve estar o Paraíso ultimamente, com o sorriso gostoso de Caymmi.
Quase há vinte anos, tive meu "encontro" com Caymmi. Estava na praia do Centro, em Rio das Ostras, num fim de tarde, Artur pequenininho, sentados na beirinha do mar, brincando. Era dia de semana, só estávamos nós dois e as gaivotas, naqueles quinze minutos antes do início do cair do sol.
Devo ter percebido o Caymmi com o canto do olho, porque entre as músicas que eu cantarolava com meu menino estava "O mar". De repente, olhei para o lado e lá estava ele, observando as marolas, igual a nós. Fiquei encabulada e segredei para Artur que aquele moço de calça, camisa, sapatos e uma bolsa a tiracolo trançada no corpo havia composto a música. Certamente Artur não se lembra disso. Nem Caymmi, que tinha casa vizinha à dos meus ex-sogros, no Bosque.

6 comentários:

Miguel Andrade disse...

Mágico momento pra guardar na memória! Que sorte a sua...

Milena disse...

Olga,

digo: assino embaixo no seu post "à mercê da industria cultural". Eu tb sou meio "pop", mas tem coisas q é dificil engolir e nem faço questão...

E Caymmi... Nossa, este encontro deve ter sido belo demais! E tudo por la deve estar numa delicia de vagar e calmaria...

Um beijo.

Halem Souza disse...

O Dori Caymmi falou, emocionado, durante o velório, que "brasileiros assim não deviam morrer". Tem razão.

Um abraço.

tertulías disse...

Mais uma perda para o nosso "patrimonio nacional"... imagine... o que seria o Brasil sem "Maracangalha", "Marina morena" e "...o que é que a ba(h)iana tem?" que ficou imortalizada no cassino da Urca por Carmen Miranda? Um homem de incrível "feeling"... "O mar quando bate na praia é bonito... é bonito". Ele agora acendeu mais uma luz no céu... ganhamos mais uma estrela no espaco... Obrigado, Caymmi! e a voce, querida! por nos dar tao linda, emocionante postagem!!!!

Sol Bossa Trio disse...

É, dá uma melancolia saber que o tempo está acabando. Os velhos amigos estão morrendo, os velhos ídolos... Ainda bem que estão, esses como Caymmi, Tom e tantos, garantidos na memória da gente e de muitos que virão depois eque vão ouvir falar desses imortalizados. Graças à Deus, para o mundo não acabar em pagodes, funks...
Parabéns Olga, por ter tido esse privilégio de ter visto a divindade "Dorival" pisar na areia da praia, como "o mar quando quebra..."
Beijos

Olga disse...

Halem, eu concordo totalmente com o Dori. Acho que a emoção dele foi maior, claro, por perder não só o nosso artista, mas um pai. Mas a gente também perdeu uma espécie de pai da brasilidade gostosa, dolente, mestiça, carinhosa.
Maurício, Milena e Miguel, pisar as mesmas areias que Caymmi em um momento pequenininho, mas tão delicioso, é uma felicidade na vida. Aqueles momentos em que a gente não sabe direito se sonhava ou se estava vivendo mesmo.
Ricardo, acho Caymmi um brasileiro que soube fazer de sua doçura uma felicidade para todos nós.
e é tão bom ter vocês pra tornarem meus momentos na Web mágicos também.
Beijo!