16.2.09

Frozen River



Abraçar a ilegalidade como forma de sobrevivência nunca foi um dilema moral para o cinema, desde priscas eras. Frozen River, cujo título não sei ainda como será traduzido no Brasil, fala de outro gênero de desonestidade, menos abordado. Aquela coisa errada que, na verdade, não parece tão grave assim para a maioria dos fracos e oprimidos. Não se trata de matar nem de roubar, mas de prestar um serviço ilegal e receber um dinheirinho por isso. É esta a chance a que uma mulher se agarra para conseguir dar conforto aos filhos, depois de abandonada pelo marido. Alia-se a uma índia Mohawk e passa a transportar imigrantes ilegais do Canadá para os Estados Unidos.
Melissa Leo vi em alguns filmes, o mais notório 21 Gramas, em que ela interpretava a mulher de Benício Del Toro. Além da boa interpretação, eu me perguntava por que haviam escalado uma atriz nitidamente mais velha que o ator que fazia seu marido. Porque Melissa Leo é totalmente fora do look do star system. Tem rugas, pés de galinha, aparenta a quarentona que é. Segura, certamente será esquecida pela Academia, que a indicou para o Oscar de melhor atriz este ano. A interpretação é tão natural que nem parece desempenho. Parece vida real.
O filme? Previsível como a vida de quem caminha sobre gelo fino. Arrepia, mas a gente vai em frente.

Um comentário:

Urubu é Rei disse...

Anotado Olga.

Merda de star system

www.maisumblogdoflamengo.blogspot.com