17.6.09

Jornalista com diploma... pra quê?

O STF derrubou a obrigatoriedade do curso universitário para o exercício da profissão de jornalista alegando que o princípio da atividade é a liberdade. Uma bazófia, claro. A Federação Nacional dos Jornalistas conta a história melhor que eu.
Muitos jornalistas que fizeram a história da imprensa do País não tinham faculdade. Não era obrigatório. Porém o ensino era evidentemente melhor do que o atual. Vide Cartola, um homem com pouco mais que um curso primário, que deixou letras belíssimas em sambas tocantes.
Jornalista é função que todos parecem saber exercer. Basta ser bonitinho e ficar em frente a câmeras. Atores exercem este papel condignamente. São atores, decoram textos, mas não têm tanto interesse assim na vida alheia. Jô Soares entrevistando é bem diferente de Marília Gabriela entrevistando. E olha que acho o programa dele muito mais agradável que o dela. Porque TV é entretenimento.
Escrever também é algo que teoricamente todos os seres alfabetizados sabem. No entanto, escrever uma notícia é diferente de contar um caso, dar uma opinião, um testemunho, fazer uma crônica.
Na Europa e nos EUA, não é exigido diploma, basta ser especialista para escrever sobre um assunto. No entanto, repórteres têm prática de apuração e redação, sempre.
Aqui, o desprezo pelos jornalistas começa pelos próprios veículos que os empregam, que patrocinaram essa causa.
Que tal agora começar uma campanha pelo fim do curso universitário em todas as áreas? Que os advogados sejam os primeiros a deixar de lado os estudos, limitando-se a analisar a legislação como autodidatas e práticos. Assim, talvez, os juizes do Supremo não fiquem batendo boca e revogando a prisão de VIPs que continuam vivendo acima da lei.

3 comentários:

Alexandre disse...

Seu texto não poderia ser melhor!

Jôka P. disse...

Olga, com certeza é sempre melhor estudar, mas diploma de jornalista aparentemente não é garantia - quando a gente vê essas mulheres na televisão fazendo externas com aqueles cabelões de uinterlace, e que não fazem concordância e muitas vezes nem o plural...
PS: esse Thomas Dutronc que aparece aqui ao lado seria filho do Jacques Dutronc? E da Françoise Hardy?
PS2: prefiro a Marilia Gabriela como entrevistadora ao Jô. Não suporto ele, é pernóstico e faz piadas muito preconceituosas, enquanto que a Gabi é discreta, elegante e sabe ouvir o entrevistado. Só acho que ela deveria depilar aqueles bigodes.

Olga disse...

ôka: sim, Thomas é filho de Jacques Dutronc e Françoise Hardy.
Acho que Jô e Marília definem bem o que é um artista e o que um jornalista. Ambos são bem informados, intelectuais etc e tal. Mas na hora de entregar uma notícia ao espectador, ele quer fazer parte dela. Jornalista aprende - na prática, mas também na faculdade - que seu papel não é o de estrelar. Nunca.
Esta medida parece tão absurda quanto humilhante. Imagine se alguém fosse amanhã acabar com o diploma de Belas Artes - um papel sem qualquer função empregatícia, mas que confere respeito a seu portador?É mais ou menos isso.