14.4.10

Brideshead Revisited

Li Brideshead Revisited no século passado, num tempo em que pupulavam filmes sobre a homossexualidade romântica dos ingleses ricos e sofisticados que se encantavam por rapazes menos abastados em ambientes universitários. Alguns viravam espiões, outros se casavam com mulheres ricas. Porém seria uma injustiça jogar as histórias numa cova comum. Alguns desses filmes eram belos e intrigantes, outros nem tanto.
O romance de Evelyn Waugh, apesar da imagem forte de Sebastian carregando um ursinho nos braços, era mais do que o amor do menino mimado por um esforçado colega de classe média que se apaixona também por sua irmã. Falava na dualidade das paixões e na culpa católica - que parece ser mais pesada para os britânicos do que para os latinos em geral.
A mansão Brideshead é pesada, opressora e o símbolo de todo o poder que encanta Charles Ryder, o protagonista que se envolve com o casal de irmãos. No filme de Julian Jarrold, no entanto, é difícil perceber o drama com todas as nuances que a época imprimia. O controle de adultos pela família, a religião norteando comportamento, as tradições arraigadas e a hipocrisia do mundo pré-Segunda Guerra Mundial não chegam ao espectador como para o leitor. Emma Thompson como a matriarca tirana, que ganhou um daqueles papéis para brilhar, não amedronta como faria uma Helen Mirren ou uma Judi Dench - que talvez sejam idosas demais para a personagem. Mathew Goode é lindo e até segura Charles Ryder, mas a gente não consegue deixar de imaginar que Hugh Grant já encarnou figuras semelhantes, 20 anos atrás, com resultado melhor.
O problema do filme é que a história é maior do que ele. E que a gente fica sempre à espera de um algo mais que não surge.

2 comentários:

Tertúlias... disse...

Voce vou a versao antiga com Jeremy Irons?

Jôka P. disse...

Que pena! Nunca assisti nenhum desses filmes com viadagens de época.