5.4.11

Eles também namoraram...

É difícil acreditar que pai e mãe foram jovens, que pai e mãe se apaixonaram, namoraram, casaram e (irch!!!) produziram a gente da forma mais tradicional que existe, antes desta era científica em que a concepção dispensa a inteiração corpórea (daqui a pouco vai surgir uma seita religiosa pregando a fertilização in vitro como forma mais recomendável de reprodução: além de "higiênica", evita o pecado da luxúria).

Remexendo nos álbuns de família, encontrei alguns momentos de meus pais enquanto amigos/namorados. Uma das que mais gosto é a deles caminhando na calçada do Museu de Belas Artes, ao lado de minha futura madrinha de crisma (é meio complicado ter madrinha de crisma sem ser crismada, mas eu a chamo de Dinda desde criança, embora permaneça dessacramentada). Acho que a foto é de 1954.


O mesmo trio está na agência de publicidade em que se conheceram e trabalharam, algum tempo depois. Meu pai olha na direção de minha mãe. Minha Dinda está de vestido estampado. Atrás de Mamãe está seu Moura, amigo de todas as horas, que também virou meio que parente.
Nas areias de Copacabana, no Posto 6, meu pai continuava de olho em minha mãe. Acho que esta foto é de 1956. Infelizmente, nenhum dos dois está aqui mais para identificar os amigos ao lado deles.



Às vezes, eles eram solenes e sérios, ao lado de meu tio que viera de Florianópolis conhecer o Rio.



Talvez meditassem sobre as críticas de minha avó materna ao namoro dos dois (ela também dava seus bordejos pelo Centro, ou melhor, pela Cidade, como se dizia então. Não sei se é na mesma calçada do MNBA ou se ela está pelo lado da Biblioteca Nacional, ou, quem sabe, em algum dos ministérios, perto da Antônio Carlos).



Continuaram festejando a vida.



Até que resolveram se casar, sem muita pompa (tinham mais de 30 anos), mas com a aprovação de minha avó, em março de 1959, tendo entre os padrinhos, os amigos-irmãos Edson e Myriam (e minha tia Leda, também...).



Puseram no mundo uma menininha, em outubro de 1960.



Moraram juntos em Ipanema, que deixavam pouco, e eram queridos pelos jovens amigos da filha.




Mas adoravam sair mundo afora também (aqui, em 1982, antes de embarcarem para a Europa, ao lado da comadre/madrinha de casamento Myriam, que os acompanhou na viagem. Edson, que também viajou com eles, batia a foto. À festiva despedida compareceu seu Moura. Porque era uma época em que todos comemoravam uma viagem à Europa, com fanfarra no embarque.)



Este ano completam-se 20 anos da morte dele, dez da morte dela. Gosto de lembrar deles nessa tarde em 1986, quando íamos festejar uma nova etapa em nossas vidas. Daqui a pouco, chego à idade deles.

2 comentários:

Sambrasil disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maurício Mello disse...

É a terceira vez que venho aqui olhar para "eles" de novo. A saudade não vai embora.