15.10.07

Um pouco de laquê


Depois de longo tempo far from the movies, fui ao cinema três dias seguidos. Na primeira saída, não deu para assistir "Tropa de Elite", que estava esgotado.Então, optamos por um filminho com Richard Gere, sempre um regalo para os olhos, mesmo de cabelinho branco e ralo. Esperávamos um daqueles policias americanos, cheio de tiros, uma pancadaria cinematográfica sem grandes conseqüências. Era um filme super-pesado, sobre um serviço de acompanhamento de agressores sexuais e tarados das mais diversas categorias, desde pedófilos a retalhadores de pessoas. Um horror, morri de medo e ainda saí de coração pesado.
Na noite seguinte, "Tropa de Elite" nos esbofeteou como a verdade que conhecemos e fingimos não ver.
Mas no domingo, o dia do descanso, foi a vez do delicioso "Hairspray", com direito a ponta do John Waters fazendo um exibicionista que abre o sobretudo para senhoras de cabelos imensos erguidos graças ao laquê, logo no início do filme. Sim, o original de Waters era bem mais corrosivo, John Travolta parece mais másculo do que a drag queen Divine, que fazia a Edna no primeiro filme. Mas este é um filme de estrelas, com Christopher Walken, Queen Latifah e Michelle Pfeiffer dando show de competência. Cinemão, divertidíssimo, musiquinhas agradáveis, e ainda uma mensagem de combate à discriminação racial e estética. Um doce!!!!

Um comentário:

Sonia disse...

Decidi ver o filme em cópia pirata, confesso. Não me senti com estômago para presenciar certas cenas que dizem estar acontecendo nas salas de exibição. Confesso também que, embora seja excelente como cinema, meu mal-estar foi tanto que interrompi pela metade - é uma sociedade doente que está ali, não é ficção.
Não justifico de modo algum a matança de bandidos nem a tortura de presos. É essa a diferença entre nós e os bandidos: eles matam e torturam, gente de bem, não. Mesmo já tendo sofrido nas mãos deles (numa das vezes o tiro, por sorte, se alojou no portão, passando a poucos centímetros da minha cabeça, tudo por um reles relógio de pulso e algumas merrecas). Apesar de todo o pânico que tomou conta de nós, a violência jamais será solução para a violência.