29.3.08

Delicadeza


Na década de 70 tive minhas primeiras experiências com o cinema de Eric Rohmer. Vi O joelho de Claire e A Marquesa D'O, tudo no finado Cinema 1. E me encantei com o universo daquele estranho diretor, que discutia moral diretamente, sem indignar o público.
Depois, Rohmer se tornou corriqueiro em minha vida, tornando a me encantar a cada filme assistido - com exceção do chatérrimo A Inglesa e o Duque, ums pintura em movimento. Escaldada por este filme, sempre temi rever A Marquesa D'O, do qual tinha recordações de numerosos fades a cada fim de cena, quebrando a história como capítulos da novela de Von Kleist, que jamais li.
Então, fui à Cavídeo pegar uns Rohmer e revi A Marquesa com olhos maduros e não com a sofreguidão da adolescência. Difícil é tirar o sorriso de minha alma. Rohmer (com Nestor Almendros na fotografia e um Bruno Ganz descabelado à frente do elenco, onde também figura o outro anjo do Win Wenders, Oto Sander) fala de honra, erros e perdão com humor e sabedoria.
Volta a sofreguidão da juventude para assistir a mais doçuras confeitadas por Rohmer - que está octogenário, mas continua na ativa.

11 comentários:

Jôka P. disse...

Olga, ele é aquele de "Les Nuits de La pleine lune", com a starlet Bulle Oggier, que morreu jovem despencando de um penhasco durante um passeio de vacances com o amante, na década de 80 ?
Acho lindo uma estrela francesa morrer assim, sabia. Chiquérrimo.
É o contrário de "A estrela sobe".

Olga disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Olga disse...

Na verdade, Bulle é mãe de Pascale, a moça que morreu jovem. A informação que eu vi diz que ela morreu de ataque cardíaco. Bulle é casada com o Babet Schroeder, cineasta.

Milena disse...

Olga, vi apenas dois filmes do Rohmer e nem foi a Marquesa D'O... Mas, lendo você, fiquei com uma vontade ainda maior de ver outros dos seus filmes! E, Olga, vc nao se zanga, né, se eu disser que sempre me espanto quando leio aqui frases como "na década de 70". Acho que era a foto de praia que tinha antes no "cabeçalho que me faz pensar que vc nasceu na década de 70 como eu, e não que ja estava vendo Rohmer quando estavam trocando minhas fraldas! rs.

Um prazer vir aqui! Um abraço.

Olga disse...

Imagina, Milena, sou uma senhora a caminho do cinqüentenário!!! E não tenho o menor pudor em declarar minha idade. Só é chato perder a visão, descobrir que a falência orgânica existe e que dela ninguém escapa...
beijo!

QuincasB disse...

cinema 1 e eric rohmer vão bem, mto bem, acho q desde l'amour l'aprèsmidi

Jôka P. disse...

Troquei as bolas.
A starlet que caiu do penhasco era na verdade a Paulette ou Paulinne Lafond, filha de Bernadette Lafond, outra estrela francesa. Foi fazer uma randonée de vacances e sumiu. Tinha acabado de fazer um filme de razoável sucesso, foi um corre corre atrás da moça, mas nada de acharem.
Os jornais não paravam de falar nisso.
O corpo só foi encontrado podre semanas depois, desfigurado, comido de bichos escrotos.
Teve também a Marie Tritgniant, que foi morta a pauladas por um amante enlouquecido.
Mais antigamente, houve o suicídio da linda Jean Seberg, que tomou barbitúricos, se enrolou nua em uma manta e se trancou por dentro em um carro. Quando a gendarmerie abriu la voiture, dias depois, disseram que o fedor era tão forte que ficou no ar durante dias seguidos empesteando aquela rua próxima aos Champs Elisées.
E a Romy Schneider, que se matou, deprimida depois que o filho caiu da janela em cima de uma lança pontiaguda.
Essas étoiles francesas morrem muito, né.

Jôka P. disse...

Quando Pascale morreu,eu morava na França. Lembro direitinho.
Ela era style pra dedéu, usava um cabelão alto, cheio de laquê, uma coisa totalmente retrô, tipo aquele cabelão da Amy Winehouse.
Correu a boca pequena que a moça era do balacobaco, do babadão forte, se meteu com tóxicos e tomou uma overdose.
Mas que a pedidos da mãe, abafaram o causo.
Aff.

Jôka P. disse...

Eu aumento.
Mas não invento.

Olga disse...

Jôka, eu ia mesmo observar que les etoilles françaises têm uma tendência suicida. É aquela melancolie très tipique. Esse negócio de chamar orgasmo de mortezinha dá nisso...
Eu me lembro bem da morte da filha dos Trintignant.
besitos

Jôka P. disse...

C´est bien vrai, ma chérrie !

Já deixei dois recados na secretária eletrônica de Lana Turner.
Ontem foi a premiére carioca.
The Star deve ter acordado Greta Garbo e estar dizendo diante do espelho: I want to be alone.
;)
Je t´embrasse trés fort.