7.11.08

Vicky Cristina Barcelona


Não adianta botar Penélope Cruz e Javier Barden pra virar Almodóvar. Em sua procura por locações que modifiquem a linguagem novaiorquina que ele próprio cunhou, Woody Allen traz algo melhor do que alguns equívocos cometidos, como Igual a tudo na vida, mas ainda a quilômetros da genialidade exibida em Match Point. Mais que Almodóvarismos óbvios, como o título esquisito e as locações em belas cidades espanholas, a história tem seu toque de Truffaut, com um narrador que explica os sentimentos das protagonistas, enquanto se discute o amor - com a realização das fantasias masculinas mais banais no triângulo amoroso entre a onipresente chatinha Scarlett Johanssen e o casal espanhol.
Desta vez, o homem apaixonado de Woody Allen é, além de prolixo, um latino ardente, com Barden encarnando todos os clichês imagináveis para compor o personagem. Penélope Cruz é a ex-mulher dramática, passional, à beira da esquizofrenia absoluta. Ou seja, os latinos são todos bipolares na visão das duas americaninhas ricas e desencantadas com a vida. Lógico que a gente espera mais de Woody Allen, embora a elegância esteja sempre em cena, dominada pela exuberância de Barden e Cruz.
Mas sempre é um Woody Allen, ainda que numa incursão pelo universo de Truffaut, com arroubos apaixonados minimizados pelo choque de culturas.

5 comentários:

Jôka P. disse...

Fui assistir o 007 no Roxy e vi o trailler de Vicky Cristina Adelina Serpentina Barcelona. O filme é todinho naquele tom amarelão-pipi do trailler, Olga ?

Olga disse...

É, teve um momento em que eu achei que a projeção estava ruim, mas, pelo visto, é proposital mesmo...
Adoro 007, mas com o Daniel Craig ficou muito pesadão.
Beijo

Jôka P. disse...

Gosto muito de Mr. Craig como 007. Talvez tanto quanto de Mr. Conery. Ele é carismático, forte, excelente ator. Criou um novo James Bond que não procura imitar em nada o "original" e no entanto passa verdade e tem bastante presença. Recentemente vi um filme ("Vestigios"?) na TVA em que ele fazia um assassino preso que tem um caso com Trumman Capotte, durante a elaboração do romance "A Sangue Frio". Fiquei muito impressionado, tanto com o ótimo filme quanto com a versatilidade e o talento de Mr. Craig.
Ah, ee venho tentando em vão copiar o corte de cabelo dele...

Olga disse...

Ai, gosto muito da interpretação dele, mas Craig é o cão de feio. E gosto de J. Bond mais jocoso, algo que o Sean Connery fez muito bem. No entanto, o Bond bonito e charmoso, pra mim, é o Pierce Brosnam, com toda a sua canastrice.

Rosane Serro disse...

Olguita,

Eu gostei muito do último Woody, justamente por causa do toque Truffautiano, do ocre mediterrâneo e especialmente da leveza, já que ninguém analisa nada.

Mas os latinos não são bipolares. Os americanos é que sofrem de frigidez emocional. Também, não há quem agüente tanto consumismo (puxa, aquele personagem do noivo não estava perfeito?).

Beijo grande,
Saudades