5.7.09

Uma mulher foi assassinada esta madrugada, a metros de minha casa.
Soube hoje de manhã.
Professora universitária, especialista em computação.
Manobrava o carro, foi abordada por três assaltantes e morta a tiros. Policiais mataram um dos bandidos e feriram os outros.
Leitores do Globo On Line pedem a esterilização de pobres e o extermínio dos bandidos. Como se isso fosse resolver essa violência que tentamos não enxergar, a cada dia, a cada esquina, a cada silêncio da noite.
A mulher morreu quando eu adormecia. Sua morte choca porque é na Zona Sul e aconteceu com uma "de nós".
Enquanto isso quantas mulheres morreram esta madrugada, na Baixada?
Mortes lamentáveis, evitáveis.
E que continuam se sucedendo, sem qualquer ação consequente das autoridades. O momento não é de discussão, mas de ação.
Medidas discutíveis, porém eficientes, têm sido adotadas fora daqui. Restrição à venda de álcool após determinados horários é uma delas. Disciplinar uma sociedade que se desacostumou a regras é difícil e vai além do recolhimento de carros cujos proprietários não pagaram impostos extorsivos como o IPVA.

Coragem

Ao contrário da maioria da humanidade, não admiro modelos-manequins-toplindas.
Tenho aquela visão antiquada de que exploração da beleza é uma forma de dominação machista. Naturalmente, reconheço a beleza e a fotogenia dessas pessoas.
Por isso mesmo sinto-me mais que confortável ao elogiar Luíza Brunet, que, aos 47 anos, aparece assim na Época On Line. Cara limpa, pele calejada. Envelhecer é difícil e La Brunet reclama do excesso de photoshop na vida atual.
Corajosamente bela - apesar do preenchimento labial.

1.7.09

Sessão da Tarde

As mulheres ainda são ínfima minoria na direção cinematográfica. Pouco a pouco, elas avançam numa área de expertise natural, a comédia romântica. A evolução do gênero - de cinema, não de sexo - porém torna tais filmes cada vez menos cômicos e infinitamente mais românticos. Seria a direta influência das mulheres diretoras?
A última comédia romântica que me fez rir muito foi Alguém Tem Que Ceder, de Nancy Meyers (que depois cometeu o bobinho O Amor Não Tira Férias), que seguia a cartilha histriônica dos duelos entre Cary Grant e diversas leading ladies nas décadas de 40/50/60, ou as perseguições entre Doris Day e Rock Hudson. Mas era exceção. A Proposta, de Sandra Bullock, deveria, de acordo com a divulgação do filme, renovar o gênero. A atriz não queria mais atuar em comédias, mas gostou do roteiro, aderindo entusiasticamente à sua primeira cena de nudez na carreira (muita gente na platéia gostaria de participar também, tal eram os profundos suspiros ouvidos na sessão para a imprensa carioca - lotada- durante o striptease de Ryan Reynolds).
Seguindo a trama tradicional de Megera Domada por um Petrucchio moderno - e mais jovem -, o filme não difere em nada dos últimos exemplares da espécie, incluindo um final La Bullock é uma editora-agente literária-gerente de comunicação prá lá de eficiente, que atemoriza seus subordinados, entre eles o assistente bonitinho, praticamente seu escravo. Como ela está prestes a ser deportada para seu Canadá natal (a propósito, país de origem do galã, na vida real), decide se casar com o assistente. Para não darem vexame na entrevista com o serviço de imigração, vão passar o fim de semana na casa da família do rapaz, no Alasca, onde as diferenças se acentuarão e as afinidades aflorarão, fazendo surgir o amor.
Lindinho, não? Igualzinho a tudo o que se viu antes, não? Anne Fletcher fez melhor em Vestida para Casar - ou seria o efeito de eu ter assistido na TV, o veículo ideal para A Proposta. De preferência, numa tarde chuvosa, acompanhado por sanduíches de queijo e presunto e refresco de maracujá preparados por mãe da gente. Delícias de Sessão da Tarde.